Lazarus e Gambas3: Não fedem, são bacaninhas e não me estressam

Se tem um problema com muitos softwares para Linux não é a qualidade, mas o nome. Ás vezes o autor original dá um nome ao programa que não tem nada de estranho em seu país, mas que em outros fica bem engraçado. Alguém conhece o TkGate?

Estes dias tivemos uma aula na faculdade sobre Software Livre, e me surpreendeu a ignorância de meus colegas de sala com relação ao tema.

A começar pelo professor, uma pessoa já experiente, mas que tem como opinião que as faculdades de Maringá deveriam ensinar Delphi para os alunos. Só isso, já que é o que o mercado de Maringá necessita. Houve muita discussão sobre este tema específico há uns anos atrás entre os professores do departamento, mas não chegou-se a um consenso. Alguns passaram a ensinar algoritmo utilizando Python, outros continuaram com o Pascal e outros com a pseudo-linguagem, enquanto outros queriam que fosse Java. Mas deixa este assunto pra lá.

Pois bem, é incrível a visão limitada que o pessoal tem. Ouvi cada besteira durante esta aula, já que eu era o único no recinto que parecia conhecer um pouco mais de software livre (deixei clara minha situação de utilizador, ainda não efetivamente desenvolvedor, por falta de sei-lá-o-que).

Aqui em Maringá (norte do Paraná) formou-se uma associação entre empresas de desenvolvimento de software (APL Software Maringá) com o objetivo de tornar Maringá uma referência em desenvolvimento de software. Mas ainda sofremos muitos problemas, como a ideia – assustadora para mim – de “fábrica de software”, junto com a visão dos empresários de que o programador é algo descartável dentro da organização – numa palestra uns anos atrás um dos donos de uma destas empresas chegou a chamar nós programadores de “Merda”. As aspas aqui entraram sem querer, já que ele disse exatamente isto: Merda.

Junta-se isso à incrível dependência que as empresas têm de determinados software proprietário (basicamente tudo gira em torno de plataformas proprietárias: sistema operacional, linguagem de programação, ambiente de desenvolvimento, banco de dados, arquitetura de processador, servidor web, etc), quando por exemplo há uma tendência crescente de produtos multiplataforma, impossível com as plataformas utilizadas pelas empresas aqui na cidade.

Eu tentava argumentar que ao menos a utilização de plataformas abertas seria benéfico se as empresas de Maringá e principalmente nós programadores quiséssemos expandir nossas possibilidades além do que Maringá necessita no momento.

Mas escutava cada besteira. Muitos dos alunos nem queriam saber da aula. Era bem enfadonha. Mas eu não poderia deixar que o professor passasse aquela ideia distorcida de Software Livre/Open Source aos alunos. Não, não briguei, só procurei expor minhas ideias querendo que eles ao menos escutassem… Em vão.

Mas deixa isso pra lá que já me estressei muito por causa disso.

Fui então atrás de programas parecidos com o Delphi, não para achar algo melhor, pois sei que trata-se de um ambiente tecnicamente superior em muitos aspectos, mas me incomodou a forma como os alunos não conheciam nada que não fosse Delphi e nem queriam saber de nada que fosse “pior”.

Compilei aqui o Lazarus e o Gambas3 aqui no computador e fui “brincar”.

O Gambas é algo mais restrito, por funcionar plenamente  somente em GNU/Linux e outros Unix, mas não funcionar graficamente (IDE) no Windows.

Já o Lazarus é multiplataforma, e segue o lema “Write once, compile anywhere”. Ambas as IDEs são escritas utilizando a si mesmas, ou seja, se você sabe utilizar o Larazus, pode melhorar o próprio Lazarus.

Se você sabe programar em Gambas, pode melhorar o próprio Gambas! Mas este argumento entrou por uma orelha e entrou por outra, afinal “Já temos o Delphi que é tudo, pra que isso daí?”. O próprio professor dizia que não via a necessidade da existência de inúmeras linguagens de programação. Para ele deveriam só existir umas três. E só.

Isto daqui não é um tutorial, mas aqui vão imagens de minhas aventuras de dois dias com estas ferramentas. Nota: não sei programar em Gambas e só um pouco em Pascal. Estas ferramentas são muito fáceis de aprender. Aliás, me surpreendi muito com a quantidade de componentes no Gambas. Ele é extremamente completo.

Brincando no Lazarus:

Agora um navegador Web bastante completo e completamente funcional que criei no Gambas em pouquíssimos  cliques. Ele tem menus, é 100% compatível com os padrões Web (usa WebKit) e tem até histórico de navegação!

 

 

Quem quiser o código-fonte, vai no rapidshare (não, não sei usar o rapidshare): http://rapidshare.com/files/310653449/Navegador2-0.0.6.tar.gz.html

 

Aqui o projeto do Navegador aberto no Gambas:

Não cheguei a criar nada que fizesse coisas como acessar banco de dados, mas entre os exemplos que vêm no Gambas há aplicações que fazem isso de forma extremamente bem não devendo nada ao Delphi ou VisualStudio.

É claro que estas aplicações não são tão boas quanto os concorrentes proprietários. Mas fazem tudo que boa parte dos projetos precisam: acessar banco de dados, imprimir em impressora, criar jogos com suporte á OpenGL, dentre outros. Fiquei particularmente surpreso com os exemplos que vêm no Gambas. São desde players de vídeo, jogos, etc. E o melhor: O Lazarus é multiplataforma, e ambos já funcionam em processadores não-intel (aplicativos embarcados? Alguém?), e são de graça! Mas precisam do carinho dos desenvolvedores (principalmente o Lazarus). Precisam mesmo.

Fico por aqui por hoje. Não sou um programador de “arrastar janelas”, mesmo não tendo nada contra, mas só quero dizer que se você gosta deste tipo de programas, o Linux é um bom lugar para você, e por um preço muito acessível e vantagens que vão além do que você pode enxergar no momento.

Links:

Lazarus: http://lazarus.frespascal.org
Gambas: http://gambas.sf.net

Atualizado: Acabei de instalar o Debian numa Máquina Virtual do QEMU emulando um processador ARM e vou testar o Gambas e o Lazarus nesta plataforma para ver se rodam bem.

Atualizado2: Para não falarem mal por eu estar utilizando um software em estado ALPHA (Gambas 3), posto uma imagem da versão estável (Gambas 2), que como o nome diz é mais estável, mas que têm alguns recursos a menos (na maioria componentes), como o componente WebKit, etc:

 

3 Comments

  1. Rogério Garcia
    Posted novembro 22, 2009 at 18:11 | Permalink

    São ótimas ferramentas MESMO!Em alguns aspectos não deixam a desejar em nada para as “originais”.

    Falando sobre eventos, qual vai ser o próximo aberto ao ‘povão’ na UEM? :-D

  2. Rogério Garcia
    Posted novembro 22, 2009 at 19:15 | Permalink

    Aproveitando, tu tá usando o e17? Em qual distro? Pelo menos para as principais, eu não tô achando repositórios/pacotes. =/

  3. Posted novembro 22, 2009 at 21:46 | Permalink

    Tô usando o Ubuntu Karmic Koala.
    E não tô usando pacote nenhum não, uso o script easy_e17.sh pra instalar.
    Lá vai o link: http://omicron.homeip.net/projects/#easy_e17.sh

    Dê uma olhada aqui tbm: http://trac.enlightenment.org/e/wiki/E17BinaryPackages/Debian

    Sobre os eventos, não sei qual o próximo não. Tentaremos organizar um FLISOL melhor no ano que vem. Já estamos juntando umas ideias :-)

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