E não é que ainda é possível fazer boa música hoje em dia?

Sou chato. Nunca escondi isto de ninguém. Mesmo quando pareço legal, estou sendo chato.

E em se tratando de música pior ainda.

Lógico que acabarei “puxando sardinha” para o tipo de música que gosto, o que é “natural”, mas deixo claro desde já que não é este meu objetivo.

Há algum tempo fiz uma “descoberta” incrível na Internet. Trata-se de um site sobre músicas chamado Last.fm. Conhece? Para mim foi uma surpresa ver tamanha ferramenta. Não conhece? Então está na hora de conhecer. Entra lá!

O Last.fm é, antes de tudo, uma rede social musical. A princípio ele não quer saber qual a sua cor favorita, qual seu signo, quais seus medos. Ele quer saber o que você escuta.  Simples.

E porque ele quer saber isto? Bem, como disse, é uma rede social. Possibilita que você encontre pessoas com um gosto musical parecido com o seu. Confesso aqui que não uso este recurso. Não sou fã de redes sociais. Em anos de Internet nunca fiz um “amigo” pela rede. Posso não ser a pessoa mais socializável do mundo mas prefiro amigos no mundo real. Há uns poucos que estão Last.fm como meus amigos mas só estão lá por eu ter aceitado o convite deles. Nunca sequer falei com nenhum deles :-)

Se não é para fazer amigos, pra que diabos serve então esta coisa?

(…)

Descobri este site por acaso. Na verdade descobri por causa do Linux, mesmo o Linux não tendo muito a ver com o site :-) Tem relação com o Amarok, o player de áudio mais usado nesta plataforma. Acho que comecei a usar o Amarok em 2005. No começo de 2006, fuçando entre as configurações do programa, vi uma opção que tinha que colocar um usuário e senha. Não tinha a mínima idéia de para que servia aquilo. Cliquei num botão que me levou ao site, onde eu fiz o cadastro, ainda sem saber para que servia. Só isso. Permaneci pouco mais de um ano sem saber para que servia aquela configuração.

Algum tempo depois descobri para que servia o site e percebi que cada usuário do site tem uma espécie de perfil, e que neste perfil há uma lista de todas as músicas que o usuário escutou e quantas foram as execuções de cada faixa!

Fiquei intrigado pela quantidade de Legião Urbana e Radiohead que havia na lista. Era basicamente a única coisa que eu ouvia!

Mas ainda há mais a ser explorado. Baseado nas músicas que você ouve, o site te recomenda novos artistas, novas músicas, parecidas com aquelas que estão na sua lista. Para isso é necessário utilizar algum serviço de scrobbler, usado pelo Last.fm. É basicamente você ouvir músicas que não estão no seu computador. Nesta caso, há três opções:
– ouvir sua biblioteca, que é basicamente escutar as músicas que já ouviu (se você tem um cadastro novo este conjunto é vazio :-));
– as recomendações do site, que é escutar músicas aleatórias ditadas pelo site baseado no seu gosto musical. Este é o momento de descobrir coisas novas, pois sempre aparecem algumas músicas e artistas novos.
– ouvir a biblioteca de outra pessoa, que é o meio que a primeira opção combinada com a segunda :-)

Há pelo menos três maneiras de ouvir as músicas por este serviço:

– No próprio site, por um player em, flash incluído na página;
– Pelo cliente desktop que o site oferece. Ele é licenciado sob a GPL e multiplataforma. Funciona em Windows e Unixes em geral.
– Por algum player comum, que pode necessitar de um plugin extra ou não.

Se você é usuário de (GNU/)Linux, é bem provável que só o que precise é criar uma conta no site. Hoje praticamente todo player do Linux tem suporte ao Last.fm :-) Isso vai desde o Amarok para o KDE, ao Banshee/Exaile/Rhythmbox do GNOME até as alternativas mais genéricas, como o Goggles Music Manager (que eu uso e adoro) e Audacious. Enfim, o Linux está preparado para o Last.fm, nem precisa pensar!

Se você usa Mac é bem possível que o programa que você usa tenha suporte. Só não me pergunte qual que eu não tenho familiaridade com Macs :-)

Se você usa Windows… Hey, você ainda usa Windows? Sai dessa, cara. Mas nem tudo está perdido, pois há um plugin que integra o Windows Media Player com o Last.fm.

Mas este texto não é um texto técnico, ué!

Mas o que faz uma música ser boa?

Para mim há várias características.

Primeiro: uma música não pode tentar justificar-se. Posso citar como exemplo a maioria dos funks, onde a maioria faz referência a si mesma e isto quase sempre é a música toda. Encaixam aqui as músicas do tipo “bonde de alguma coisa”, “dança de alguma coisa”, ou seja lá o que for. É sempre “Esta dança do não sei o que faz não sei o que para não sei o que…”.

Segundo: Uma música não precisa ter uma boa letra, mas se tiver uma letra ruim, é importante que você não saiba o que a letra diz. Isto é comum em músicas em inglês. O inglês é um idioma que por si só é “musicado”, com palavra ritmadas, além do som da letra “erre”, presente em boa parte das palavras, ser bastante musical também. Não me admira que a maioria das músicas saia dos países de língua inglesa (EUA e Inglaterra principalmente). Pode ser a letra mais ridícula do mundo, mas se tiver uma boa melodia, pega. E isso vale para a maioria das grandes bandas e cantores.

Este princípio se baseia na idéia de que tenho do próprio processo de comunicação. Para haver comunicação, é necessário que o emissor (a música) e o receptor (o cara que ouve) utilizem o mesmo conjunto de símbolos. Para eu compreender o que a letra diz, é necessário que eu conheça o idioma no qual ela está escrita. Mas entender a letra não é essencial para apreciar a música! Pode ser que a letra esteja dizendo a coisa mais estúpida do mundo, mas se eu não souber o que é, não fará a mínima doferença e a música continuará sendo boa!

Terceiro: se eu entender a letra, que a música seja o mais subjetiva possível. Como assim? Vou citar um exemplo que muitos discordarão: Legião Urbana. A-M-O (opa, isso ficou meio boiola, hein?) Legião Urbana, mas não posso deixar de negar que a maioria das músicas, principalmente as de maior sucesso, tem letras totalmente desconexas!

Cito algumas músicas: Pais e Filhos: um monte de frases que não tem ligações entre si. Mas que quando ouvimos dissemos “é, é verdade” para o sentido total da música. O porque disso? Pelo caráter subjetivo da coisa, que passa só a fazer algum sentido depois de ouvida, mas que não tem sentido algum!

Outra música que eu gosto muito é Eu era um Lobisomem Juvenil. Se você for ler a letra da música, perceberá que novamente cada frase da música é desconexa das outras. Metal Contra as Nuvens? A Montanha Mágica? O cara deve ter escrito esta música enquanto estava drogado! :-)

Este caráter subjetivo permite que a música se torne universal, pois só terá sentido aos ouvidos de quem as ouve. Nunca fui a um show da Legião – na verdade quando Renato Russo morreu eu tinha 8 anos :-) Mas sinto como se as músicas tivessem sido feitas ontem :-)

Quarto: música é som. E som só “existe” a partir do momento que atinge nosso ouvido. A música só existe do ouvido para dentro. Do ouvido para fora existem somente vibrações, compressões e rarefações. Nada mais que isso. Logo eu devo respeitar esta existência da música. Isso implica que de nada adianta você erguer o volume no máximo. Isso não estará aumentando a existência da música. Por isso acho estúpidas estas pessoas quem teimam em querer ouvir músicas com o volume às alturas. Aqui em Maringá é cheio. Acham que todo mundo quer ouvir o mesmo que eles ouvem! Sei lá porque, talvez a sensação de estar impondo as outras pessoas ao seu gosto deva trazer uma sensação de poder, não sei. Aí o camarada coloca cem mil reais em alto-falantes num carro, ergue o som no máximo numa música bem ruim (aqui é funk e sertanejo) e sai andando pela cidade. O som é tão alto que quando passam as janelas das casas tremem. E está lá dentro do carro o camarada, que depois de um tempo já está surdo, e daí aumenta o volume mais para ouvir melhor, o que o faz ficar mais surdo…

Para mim a melhor maneira de ouvir música é de um jeito que ninguém mais saiba o que você está ouvindo. E que seja num volume que lhe permita realmente ouvir a melodia da música, e não ficar escutando ruídos e batidas, como se estivesse presenciando explosões numa pedreira ou mina subterrânea!

Quinto: uma música para ser boa deve ser daquele tipo que te faça “cantarolar” baixinho, às vezes sem nem mesmo abrir a boca, meio que “com o nariz”, até sem saber a letra, e quando você o faz, sua cabeça balança suavemente de um lado para outro. Se uma música consegue causar este efeito, vai pro topo da lista :-)

Não vou mentir. Não sou eclético. Nunca fui. Se você ver meu perfil no Last.fm verá que a maioria das músicas que ouço podem entrar na categoria “alternativa”. Há também muita música instrumental, ao estilo música francesa, com pianos, violinos, etc. Mas lógico que há também o rock baladinha, mas numa escala bem menor.

Gosto de música eletrônica? Não. Gosto de Radiohead e Björk, por exemplo, e ambos utilizam quase sempre sons sintetizados, instrumentos computadorizados, mesmo ainda dando espaço para instrumentos tradicionais. Mas não são, nem de longe, música eletrônica. Talvez eu esteja subjulgando o gênero, mas as músicas eletrônica que ouço normalmente acabam no fato de serem eletrônicas. Nada mais.

Mas vou deixar para lá.

três quatro bandas/artistas que eu descobri nos últimos tempos e que acho que ainda farão bastante sucesso. O primeiro deles é a Escola de Robô. Conheci do nada, quando um integrande da banda deixou um scrap uma mensagem no meu orkut perfil, com um link para a página da sua banda. Baixei o CD e achei muito bom. Recomendo mesmo. Se parece bastante com os grupos de Rock dos anos 90.

Outra banda muito interessante que conheci por meio da minha irmã é o Mombojó. É um rock misturado com música regional do norte/nordeste, ao estilo Nação Zumbi. Interessante mesmo.

Retirado de http://www.lastfm.com.br/music/Joanna+Newsom/+images/112227A terceira banda se chama Luisa Mandou um Beijo. É rock/pop bem simples, descompromissado, com letras sem grandes intenções. Muito bom de ouvir. E também disponibilizam as músicas no site oficial da banda.

A quarta descoberta foi uma cantora norte-americana chamada Joanna Newsom. Segundo o Last.fm ela caiu na minha lista por se parecer com CocoRosie, um duo que conheci estes tempos também por intermédio da minha irmã.

Além de cantar maravilhosamente bem, ela é linda (foto ao lado). Não linda no sentido necessariamente erótico, mas linda no sentido da beleza que faz nem perceber o tempo que passou enquanto apreciamos. Está cada vez mais difícil achar este tipo de beleza no mundo, sabia? Fazemos tanta coisa ao mesmo tempo que gastamos pouco tempo apreciando o belo (não só beleza humana) e só ligamos para a beleza breve, artificial, palpável e finalmente descartável.

Ah, e novamente não entendo nada do que ela diz. Gosto disso :-)

3 Comments

  1. redbag02
    Posted fevereiro 19, 2009 at 0:26 | Permalink

    Comentários muito pertinentes sobre as características. E a dica da Escola de Robô foi ótima! Muito boa!
    :*

  2. Posted fevereiro 19, 2009 at 11:38 | Permalink

    Obrigado :-)

  3. Posted maio 26, 2009 at 20:46 | Permalink

    e bom no fank com um gato la ajente no escuro pode fazer o que ñ dever sexo é, gostoso sim eu quero sexo sexo sexo

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