Tio, você virou vegetariano?

A resposta é não.

Para mim vegetarianismo é mais do que o que você come: é o que você faz; a forma como age e pensa.

Mas sim, estou pouco a pouco reduzindo o meu consumo de carnes. Não, continuo comendo ovo e bebendo leite, mesmo que em quantidades bem bem mais moderadas que antes.

Sim, isto é extremamente difícil, principalmente pelo fato de minha mãe ser baiana – nasceu na Bahia, serve? – e como sabemos, a comida baiana tem muita carne. Aqui em casa o povo come todo dia, logicamente que não em grandes quantidades. É um bifezinho aqui, um fígado ali… (hum… sempre gostei de fígado, mas isto é passado :-)).

É claro que minha mãe achou isto muito estranho. “Olha Leandro, essa carnezinha tá tão boa”. “Mas você não está mesmo mais comendo carne, né?”. Coisas do tipo.

Mas, como disse, não parei de comer carne. Só decidi repensar meu consumo. Acho que todos deveriam fazer o mesmo. Às vezes ainda como um salgado (um lanche, como uma esfirra, etc), um macarrão com presunto que minha irmã faz, etc.

O que quero provar? Quero provar que comer carne não é algo “natural” – sim discussões sobre a existência ou não da “natureza humana” fizeram parte do meu cardápio nos últimos dias -, mas que é algo unicamente cultural. Não que se alimentar de coisas de origem vegetal não seja algo também cultural, mas se conseguir provar para mim mesmo que podemos ir contra a maré cultural que nos fazem engolir sem pensar, já será um grande passo.

Mas nem tudo são flores. Ultimamente também aumentei meu consumo de sal, por uma razão que desconheço. Sei que isso não faz bem, mas simplesmente me deu uma vontade danada de tacar sal na salada. Aliás, descobri que só o sal forma um excelente tempero para a salada. Estranho.

Também passei a consumir mais açucar, principalmente na forma de sucos e doces. Sempre me considerei uma formiga por gostar tanto de açucar, mas ultimamente a coisa tem piorado :-) Isso prova que meus hábitos alimentares continuam tão ruins quanto antes.

Passei também a andar mais de bicicleta e menos de moto. Sim! Andar de bicicleta é tão perigoso quanto de moto, mas é mais relaxante. Nem vou falar de uma bicicleta que estou montando, uma “deizinha” antiga. Gastei mais de 150 “contos” esta semana, mas a bichinha tá ficando um brinco :-) Mais legal que andar de bicicleta é montar bicicletas. Não que eu me ache um bicicleteiro de mão cheia, já que estou quebrando a cabeça com estes esquemas de câmbios, já que me acostumei a bicicletas mais “brutas”, sem marcha. Mas é uma atividade interessante. Relaxante. E aprenda: a graxa é sua amiga.

Lógico quevira e mexe tenho que andar de moto, já que veículos motorizados não podem ficar muito tempo sem serem usados. Fiquei umas duas semanas sem usar a minha e quando fui ligá-la tive um trabalho danado para fazê-la funcionar.

Mesmo assim acredito que andar de bicicleta tem feito muito bem para mim.

Me lembro quando tirei minha carta de habilitação e deixei a bicicleta de lado. Só andava de moto. Depois de um mês tentei andar de bicicleta e pervebi que de andar até a esquina já ficava cansado. Definitivamente eu preciso andar de bicicleta. É quase que uma questão de vida e/ou morte.

Tente você também, andando de bicicleta você não vai pegar ninguém, é fato (marias-gasolinas não caem nessa), mas certamente terá uma vida mais saudável.

Maringá é uma cidade onde tudo é perto. Mas as pessoas insistem em usar o carro para coisas básicas, como ir à padaria! É uma cidade bastante plana, onde chegar ao centro demora muito pouco. Do meu bairro – periferia, mano! – de bicicleta não vão mais que vinte minutos.

Sou contra o uso de carros? Não! Eles são ótimas ferramentas para aqueles momentos de aperto, onde você está atrasado e de bicicleta ou a pé demoraria muito. Mas sem pressa, beleza?

O carro se tornou uma forma de mostrar poder. É uma forma de provar status. Mas não, chega por hoje de ficar remoendo os problemas da humanidade.

Ah, e se quiserem um bom incentivo para repensarem seu consumo, assistam ao documentário “A Carne é Fraca“. Se tiver estômago fraco, assista. Você verá que a carne não surge do nada na “vitrine” do açougue.

E o melhor: você não morre se não comer carne! Estou já há algum tempo praticamente sem comer e ainda não sofri nada sério… hauahuahauha

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2 Comments

  1. Patola
    Posted dezembro 8, 2008 at 16:16 | Permalink

    Para conhecimento:

    – “natural” não é sinônimo de “bom”; isso é conhecido como “Falácia Naturalista”, já refutada no início do século XX. Vai uma cicutinha aí? 100% natural!

    – Não há problemas éticos em animais onívoros comerem parte da sua dieta – ou seja, carne. Nossos parentes mais próximos, chimpanzés e bonobos, comem carne. Nosso antepassado em comum provavelmente também comia. Chimpanzés em especial comem macacos pequenos com requintes de crueldade.

    – Matar/dilacerar vegetais para consumir é melhor que matar/dilacerar animais? Explique.

    – É possível ter uma dieta vegetariana 100% satisfatória em termos de proteínas mas dada a fraca quantidade e variedade de proteínas nos tecidos vegetais, essa dieta precisa de uma combinação muito elaborada de vegetais para alcançar o mesmo efeito nutricional de uma dieta com ovos, leite e carne. Em especial em relação aos aminoácidos essenciais, muitos deles ausentes nos vegetais. Em termos práticos, para o cotidiano da maioria das pessoas, esse controle e elaboração de cada prato que come é inviável.

    Sou contra você comer o que quiser? Obviamente, não tenho nem o direito de ser contra. :) Mas quis apenas te dar informações para o que de repente pode ser uma decisão equivocada. Obviamente é um resumo, não vou sair aqui citando mil papers de nutrição.

  2. Posted dezembro 8, 2008 at 19:47 | Permalink

    Pois é Patola.

    Estes dias estava lendo sobre um grupo que defendia o direito das plantas, dizendo que o que fazemos com elas equivale ao tratamento que damos aos animais.

    Quem está certo? Sinceramente não sei.

    O que quis deixar claro é que o comer carne não é simplesmente “comer carne”. Há um mundo por trás disto – assim como há no caso de comer plantas, como desmatamento para dar lugar à lavoura, a questão dos agrotóxicos e a poluição dos lençóis freáticos, etc.

    Acontece que a “maioria das pessoas” consome sem pensar em como aquilo que colocam no prato chega ao seu prato. O documentário que recomendei, embora tenha aquele ar de “Deus não quer que machuquemos os animais” que eu tanto tenho aversão, é um bom modo de ver “o outro lado” da coisa.

    E, como disse, não parei de comer. Só decidi comer menos. Bem, estou tentando fazer este “menos” tender a zero, para ver se realmente morro caso não come carne – sim, precisamos de todos aqueles nutrientes e tal, mas a carne não é a única fonte destes. Até agora não morri nem senti os efeitos colaterais que a falta de carne traz.

    Eu poderia simplesmente falar: “basta! não vou mais machucar os pobres animaizinhos. De hoje em diante não como nada que já tenha respirado”. Se eu fosse uma pessoa realmente preocupada com minha nutrição não acharia ruim fazer isto, pois sei que me preocuparia mais em selecionar os alimentos que como.

    E aqui não estou pondo em questão o fato de o ser humano ser naturalmente onívoro. A questão aqui não é natural, mas cultural. Sendo onívoros, somos capazes de comer tanto alimentos de origem vegetal quanto animal. O problema é como isto é feito atualmente!

    Comer carne entre os animais é algo natural e necessário ao equilíbrio do ecossistema no qual ele está inserido. Um leão come um bisão. Se, após comer, houver outro bisão mais à frente, ele não o comerá se não estiver com fome.

    Já no caso do homem a cultura de comer carne só trás desequilíbrio ao ecossistema! Sim, nós somos animais e estamos inseridos num ecossistema. Se terminamos de comer e vemos mais alguma fonte de alimento à frente, provavelmente vamos o matar, mesmo não estando com fome. Se não o matamos, o encarceramos, matando-os pouco-a-pouco!

    Sei que parecerei mais um “ecochato”, mas o que quero passar é algo diferente. É possível sim comer carne, vegetais, cogumelos, seja lá o que for, mas de forma mais consciente.

    No Brasil mesmo morrem mais pessoas de obesidade do que de fome. Acha este consumo – tá, não só de carnes, mas de massas, frituras, etc. – saudável, equilibrado, racional, natural?

    Não, não acho que você quis dizer o contrário. Pelo contrário, entendi exatamente o que você quis dizer.

    Eu sou do tipo que não acredito em tudo que vejo, mas procuro conhecer de tudo. Assista o documentário em questão com um olhar cético que acredito que você tenha e tire suas próprias conclusões. Não espero que você deixe de comer carne, mas que antes de cada garfada pense um pouco. Poucos fazem isto.

    Ah, e ps: nunca comi carne pelo valor nutricional que ela tinha. Comia simplesmente por que aprendi assim. Se eu deixar de comer, mesmo não me preocupando com o valor nutricional das coisas, assim como nunca tive – hora de mudar? – que diferença fará? :-) Ok, foi uma brincadeira.

    E sobre o “natural”, carne, não sendo algo sintético, também é natural! :-) Nunca me iludi com o “natural”, embora sempre desconfie do “sintético”.

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