(Finalmente!) falando bem do Ubuntu

Tenho que admitir. A nova versão do Ubuntu – o Intrepid – me surpreendeu.

Embora eu tenha afirmado que não tenho nada contra o Ubuntu, aquele texto que escrevi tempos atrás ainda me rende dor-de-cabeça  – o último diz assim: “Como tem gente burra neste mundo. Esse site nem merece uma visita pessoal”, e olha que nem sabia que acessar um blog é fazer uma visita pessoal :-).

Por alguma razão alguém descobriu o texto e publicou no fórum do Ubuntu, o que rendeu uma discussão danada, que também citei em outro texto.

Pois bem, um ano depois venho aqui para confirmar o que o Timm já havia percebido: “Ubuntu 8.10 prestou“.

Sim. Prestou. Acho que o 8.10 foi a distro que mais senti o cheirinho “Hey, não tô achando dificuldade para fazer as coisas”.

Lógico que nem tudo se deve ao Ubuntu. O GNOME 2.24 está demais!

Sim, está mesmo. O Nautilus está rápido; tem suporte à abas, mudança dinâmica do tamanho dos ícones, e está até… leve.

Instalei ele aqui na minha máquina, a mesma dos últimos 4 anos e pouquinho, e rodou muito bem. Lógico que não muuuuito bem, mas aí seria demais exigir que um sistema operacional atual funcione com excelente desempenho numa máquina destas. Mas foi o suficiente.

Programas fáceis de instalar, todo o hardware instalado automaticamente – menos a placa de vídeo, mas aí já é outra história, que depois foi resolvida.

Foi a primeira vez que vi um sistema totalmente “plug’n play”. Sim. Instalei na máquina da minha vizinha, e ele pegou uma impressora emprestada de uma amiga, instalou todos os cabos e veio perguntar para mim como instalava e eu disse: “Mas já está instalado”. E já estava.

Não que isso seja uma dádiva do Ubuntu, mas ele fez a coisa de um jeito interessante que até me lembrava o Windows, se este não exigisse um CD de instalação e meia hora até que este processo termine.

Aqui em casa reconheceu automaticamente a webcam (genérica, a podridão das podridões), e mesmo sabendo que isto se deve ao suporte à webcams que o Linux incorporou na versão 2.6.27 do kernel, achei muito interessante a coisa funcionando bem de primeira.

Os efeitos do compiz funcionam até bem na minha máquina! Vejam bem: é um Durão 1500 (overclocado para 1600 brou!) com 512MB de RAM e uma placa-de-vídeo GF-4 com 64MB. Mas sei que neste caso o ganho veio do novo X.org 7.4 e do pessoal do Compiz que está fazendo um trabalho excelente (embora não consiga usar no dia-a-dia, alguns efeitos são extremamente úteis e interessantes).

Mas nem tudo são flores.

Ainda no beta fui instalar o Ibex na máquina da dita vizinha. Como a máquina é bem antiga, optei pelo CD alternate. Mas o problema é que ele simplesmente… não funciona. Trava numa das fases da instalação, aos 6% do download dos pacotes.

Mas mesmo assim consegui realizar com sucesso a instalação, depois de algumas horas de sufoco. Achei até que o problema era no CD ou mesmo naquela versão do CD. Afinal é um beta.

Então é lançado a versão estável, e eu baixo novamente o CD alternate para a minha máquina. Mas o problema é o mesmo. 6% no download dos pacotes. Sem chance. Baixo o LiveCD mesmo, onde agora há um modo de iniciar somente o instalador – sugestão que fiz ao povo há alguns anos atrás, e parece que alguém mais teve a idéia.

E também há o problema com o áudio. Ele simplesmenet pára de funcionar às vezes, e volta do nada.  Acredito que isto tenha relação com o pulseaudio – que nunca gostei – que é o sistema de som padrão do Ubuntu. Mas funciona bem se eu configuro os programas para usarem – pasmem – o OSS. Sim, parece que a nova versão do OSS está muito boa, acabando com aqueles problemas que tínhamos anos atrás de dois programas não poderem utilizar  a placa de som ao mesmo tempo. No momento atual o sistema todo está utilizando o pulseaudio – menos o realplayer, que só funciona com OSS.

Além disso, tenho notado que quando você está usando algum programa que consome muito processamento – firefox? – o áudio pára, voltando somenet quando o processador estiver em estado normal. Muito estranho isto, principalmente para quem tem máquinas antigas. Para escrever este texto mesmo houve várias interrupções enquanto eu ouvia música, já que o editor do WordPress – também uso o scribefire, mais leve – não conversa bem com o firefox quando o negócio é ter desempenho.

Instalado, perfeito. Instalo uns codecs aqui. Outros codecs acolá. Organizo as músicas da minh airmã para ela não ficar reclamando “Mas no windows funcionava assim e assado”.

Embora ainda não acredite que o KDE4 esteja bom, instalo os joguinhos deste ambiente, pois eles estão muito melhores do que os do GNOME.

Na verdade acredito que a mais notável evolução no KDE4 foram seus joguinhos. Minha nossa, alguém aí ainda joga os jogos do Windows?

Não vou falar mal do KDE4 aqui, já que no último Latinoware o Hélio Castro parecia bastante nervoso quando alguém o fazia – e quando eu disse que era um dos criticavam os desenvolvedores :-). Na verdade acho que ele não ele me agüentava mais. Mas isto é outra história. E também porque eu uso este ambiente diariamente onde estudo – por opção própria. Lógico que ele disputa espaço com o enlightenment, mas isto também é oouutra história.

Pois bem. Em resumo, o Ubuntu 8.10 ficou bacaninha.

Não retiro o que disse durante toda minha vida de troll que fala mal do Ubuntu. O antes é o antes. O ubuntu será sempre o que é. Só que agora está mais bonitinho aos meus olhos :-)

Pronto. Falei também. :-)

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9 Comments

  1. Patola
    Posted novembro 18, 2008 at 20:03 | Permalink

    Sorte sua, porque o Kubuntu, apesar de lindo, está cheio de bugs, uma bosta, quase inusável para usuário final. A maior parte disso sendo culpa do KDE 4.1.3 (sim, eu atualizei; ele vem com o 4.1.2) que é, sendo bonzinho, de qualidade de software beta. Pra você ter uma idéia, nem BLUETOOTH funciona porque o kdebluetooth não foi reescrito ainda pra funciona com o bluez 4.0 — e usar o gnome-bluetooth, além de chamar o nautilus, gvfsd e um monte de porcarias gnome e ficar redesenhando a janela abaixo do kwin — não funcionou comigo no KDE, sabe-se lá por quê.

    Isso não significa que eu não gosto do KDE. Eu adoro, e com o 4.1.x pude abandonar o compiz pra usar só os kde-effects. Mudar foi bem melhor pra mim, porque eu consegui arranjar workarounds (alguns bem desajeitados, como o obexftp em linha de comando pro bluetooth) e personalizei ao meu bel-prazer. Mas, porra, que falta de cuidados que o pessoal da Canonical teve, viu? Para o usuário do tipo mais comum, teria sido muito melhor deixar com o KDE 3.5.10 mesmo.

    Pena que estou com pouco tempo, senão minha lista de bugs relatados no Kubuntu seria muito, muito maior.

  2. Patola
    Posted novembro 18, 2008 at 20:12 | Permalink

    Ah… E sobre o pulseaudio: meu, se você já mexeu antes com ALSA, o pulseaudio realmente representa uma nova etapa para o som de GNU/Linux. Por que não simpatiza com ele? Muitas das coisas que o ALSA já fazia o pulseaudio permite fazer de forma muito mais fácil e interativa – nada de ficar editando ~/.asoundrc e /etc/asound.conf (a não ser pra etapa inicial de configuração do pulseaudio) pra conseguir efeitos legais. Por exemplo, já mandei tocar um monte de músicas no youtube pra gravar o stream no audacity e transformar em .ogg (receitinha pega daqui, veja também o “Perfect Setup” da página do pulseaudio). Já me acostumei com o pavucontrol na bandeja, de modo que eu mando tocar uma música pelo mpg321, vejo que está alta (ou baixa) demais e regulo o volume especificamente da stream dela. E o modo de funcionamento do pulseaudio com programas ALSA é transparente uma vez que eu tenha feito as modificações no /etc/asound.conf. Ele é realmente um passo revolucionário ao invés de somente evolucionário, visto que finalmente surge algo decente para unificar os diferentes sistemas, frameworks, servidores e processadores de som existentes para GNU/Linux: OSS, ALSA, esd, Y Sound Server, artsd, Jackd, etc… sem necessariamente os jogar fora.

    Claro, a Canonical devia ter feito o Ubuntu/Kubuntu vir todo preparado pra pulseaudio, ao invés de só colocar a receitinha no sítio. Não entendo por que não o fizeram.

  3. Patola
    Posted novembro 18, 2008 at 20:14 | Permalink

    PQP… Agora que vi, “meu comentário está esperando moderação”? Ignore tudo o que eu disse, não acessarei mais seu blog. Se por default seus usuários são indesejáveis e você se julga no direito divino de decidir o que é adequado ou não enunciar, não tenho nada a contribuir aqui.

  4. Posted novembro 18, 2008 at 22:37 | Permalink

    Não não Patola. Você não está na minha lista negra :-)
    É que eu deixo todos os comentários para serem aprovador por mim, pois já tive muita dor de cebaça com isso :-)

    Mas pensando bem deixar um monte de comentários na fila de espera me deu mais dor-de-cabeça … :-)

    Mas como estou no meio de uma aula de PHP e o professor já vai me chamar a atenção, depois eu leio certinho e respondo :-)

  5. Posted novembro 19, 2008 at 1:48 | Permalink

    Então Patola já não é de hoje que o pulseaudio me incomoda. Sei desta história de revolução, mas em todas as vezes que tenho o utilizado ele não faz o que promete. Sobre estes recursos, acho que o jack consiga fazer algo semelhante, senão melhor, embora o jack seja mais complexo do que o pulseaudio.

    Sobre os comentários moderados, não, não acho os visitantes indesejados, já que não haveria razão para haver um blog sem visitantes, certo?

    Na verdade a moderação de comentários já estava me enchendo o saco, mas infelizmente tive que abandonar o blog durante uns dois meses e os comentários se amontoaram, e havia mais gente, e xingando do que outra coisa. Internet é um lugar perigoso, eu sei… :-)

    Mas já está tudo “liberado”, e pensando bem no que você disse, acho melhor deixar assim mesmo. Se vier nego me xingando, mando tomar no *u :-)

  6. Patola
    Posted novembro 19, 2008 at 6:08 | Permalink

    Ok, valeu pela compreensão e desculpe por me expressar nervoso, mas toda vez que vejo minha boa vontade de comentar determinada notícia barrada por um muro de pré-impedimento, eu me sinto mesmo um tanto quanto ultrajado. Ainda mais quando vários outros sítios acabam fazendo isso. :)

    Bom, o pouco que usei o jack eu achei ele muito complexo e além disso o jack não integra todos os outros sistemas de som como o pulseaudio. Quer dizer, o pulseaudio é jóia justamente por causa disso: ao invés de querer ‘dominar’, ele integra, unifica sem roubar o lugar dos outros sistemas (exceto o esd, que ele substitui integralmente, por razões históricas).

    Eu acabei aderindo porque eu acho notável o pulseaudio principalmente por esta característica de integração, mas gostei do resto também. Acho louvável que um sistema se proponha a diminuir o caos de opções para GNU/Linux, que pode ser muito bom em termos de liberdade mas é horrível em termos de direções a seguir, para um desenvolvedor de software e também para o usuário que precisa de algo padronizado.

    Você tentou a receita do sítio “Perfect Setup” que eu indiquei? Porque eu fiz justamente o que está lá e meu pulseaudio está perfeito, com tudo funcionando. E pelo que tenho visto das aplicações, todo mundo que programa está aderindo mesmo, inclusive produtores comerciais como skype e Sun (Virtualbox).

  7. Posted novembro 27, 2008 at 11:45 | Permalink

    Pela primeira vez, no 8.10, vi o Ubuntu funcionar como deveria em _TODAS_ as máquinas que testei. Sem nenhum porém! E pela primeira vez, a máquina virtual onde instalei, não se chamou “argentina”. :-)

    O lance da Pulse pode ser corrigido utilizando somente o OSS. No Fedora 9, onde a Pulse ficou completamente inusável, o problema dos dispositivos de som (e dos navegadores, dos players e de tudo que tentava emitir algum ruído) só foi removido junto com a Pulse.

    A API do OSS novo permite múltiplos sons ao mesmo tempo nativamente, é muito mais leve e estável do que o Alsa e o Pulse Audio. Problema é ficar sem Skype (a versão OSS não presta) e configurar o flash no Linux 64 bits… Mesmo assim vale a pena, fiz isso também no Ubuntu e ficou top.

    Abraço!

  8. Posted dezembro 3, 2008 at 0:03 | Permalink

    É Timm, achei o PulseAudio bom por estas razões, embora nunca tenha me dado muito bem com ele (primeiro num Fedora, agora no Ubuntu).
    Pelas notícias que ouvi nos últimos dias, o OSS está muito diferente das versões antigas, antes do fechamento do código. Pelo jeito voltou aberto e com muitas inovações e algumas vantagens dobre o alsa, já que o alsa funciona somente no Linux, enquanto que o OSS e multiplataforma.
    É esperar para ver.

  9. podestati
    Posted janeiro 26, 2009 at 12:25 | Permalink

    Uma verdade inconveniente é que cada dia mais o Ubuntu fica mais pesado. Este é um ponto negativo, por enquanto.

    Mas uso ele a mais de 3 anos. E me dou bem com ele, mas em máquinas antigas ele é bem lento, mas eu desabilito um monte de coisas que não preciso, como suporte a bateria, Bluetooth e mais um monte de coisas.

    Mas em meu Notebook o bicho é lindão, gatão e não deixa nada a desejar.

    Gosto do KDE, mas por enquanto ele está se desenvolvendo, nasceu de novo! Tenho fé na equipe de desenvolvimento.

    Sonho no dia em que meus amigos e não-amigo venham me pedir para ajudar a configurar alguma coisa em Linux, do que pedir para formatar o PC!


    Bom post, Tah add no Google Reader.

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