Ainda me perguntando… livros recentes.

Abandonei este blog por mais de dois meses, e neste tempo muita coisa aconteceu.

Abandonei mesmo. Os comentários – que, por alguma razão, necessitam de moderação – se acumularam. Somam 36. A maioria é de gente reclamando e me xingando. Salvo são os que elogiam :-) No momento estou sem tempo para responder (todos ou nenhum), por isso é bem provável que os que aqui comentam continuem me achando um chato.

Dediquei os últimos tempos – meses – à leitura, e achei muita coisa interessante, das mais diversas áreas. Desde romances como “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, livro de 1774 que trata da história de um jovem que apaixona-se e não é correspondido, o que o leva – tem problema eu contar o final? – ao suicídio. Hoje o assunto parece batido, por isso apresento-lhes o original.

Pirapato, o menino sem alma” conta a história de um garoto, habitante de um mundo a la Senhor dos Anéis, a procura de sua alma, por acreditar ter nascido sem uma. Interessante também. Li por recomendação de minha irmã, que comprou o livro, escrito pelo cunhado de uma amiga dela e… Enfim. Tá aí mais uma recomendação.

Outro livro foi “O Ponto de Mutação” – de Fritjof Capra, um físico-hippie – , livro que tem como tema a afirmação de que todas as crise que temos atualmente – livro escrito em 1980 – na verdade se resume à uma só crise: uma crise de percepção. O que posso dizer? Embora fora de época, e mesmo o autor se situando mais no contexto de seu país – EUA -, é um livro que se encaixa em todos os contextos  do nosso mundo atual – que trata-se de somente um só contexto. O autor defende a idéia de que, para não sumirmos como civilização, temos que mudar totalmente nossa maneira de ver o mundo e de vermos nós mesmos neste mundo. Simplesmente magnífico. É um livro que não cai em clichês e tem como principal argumento que toda esta crise tem como raíz a visão cartesiana do mundo, visão reducionista que vê o mundo como um “imenso relógio”, desprezando tudo que não possa ser reduzido à partes que possam ser estudadas pela utilização de somente o que chama-se de razão. Foi um livro decisivo para mim, pois eu há tempos havia percebido muito daquilo que o autor disse eu sua obra, e me ajudou a ter noção do problema maior que devemos enfrentar.

Para compensar o livro anterior, parti para a fonte de sua crítica: “Discurso Sobre o Método”, do grande filósofo René Descartes. Aqui Descartes esculpe a visão reducionista do mundo, visão adotada pela maioria das pessoas. Aqui tudo é deduzível por leis matemáticas. Todo o universo. Homens e animais, sendo guiados por leis matemáticas, são puramente máquinas (já ouviu falar em mecanismo do corpo humano?), e a única diferença entre homens e animais é que aqueles possuem alma, enquanto que os últimos não. Por exemplo, para ele, o grito – mesmo de dor –  de um animal não passa de uma peça de um relógio rangendo. Me identifiquei com muito do que o autor disse, com parte da maneira como pensava, mas vê-se como sua visão se estreita até chegar à limitar-se.

Para ele, o universo é estático, criado pelo deus todo poderoso, unicamente para usufruto do homem. E é engraçado que toda sua teoria tinha como único fim a prova da existência de deus. Explica a fundo a idéia do cogito (“Penso, logo existo”), da prova da existência de deus pelo fato de sermos imperfeitos, perfeição que só existe no criador. Se somos imperfeitos e temos idéia do que é a perfeição, tal perfeição só pode existir senão naquele que criou e que mantém o universo em funcionamento.

Outro livro foi “Os Dragões do Éden”, de Carl Sagan. Como todos sabem, Sagan é (ou era :-))  o maior combatente contra o que chama-se pseudo-ciência. Neste livro põe em xeque a visão criacionista do mundo, opondo a visão da ciência com a visão da Igreja Católica. Muito interessante também.

“O  Pequeno Príncipe”. Há alguém que não tenha lido este livro? Se sim, me pergunto em que mundo vivemos. É um livro que todos deveriam ler. Eu já havia lido ele há anos atrás, mas minha irmã recentemente comprou um exemplar num sebo, e em menos de duas horas sem muito o que fazer o li.

“As Veias Abertas da América Latina” é estupendo. Nele o autor, Eduardo Galeano, nos mostra uma visão alternativa da história da colonização da américa latina ao longo dos séculos. Este é sem dúvida – ao lado dos livros citados acima – um livro que deveria ser de leitura obrigatória à todos.  Nos leva a ter uma visão crítica em relação à tudo o que nos é imposto. A história da Amrérica Latina é a história da derrota, do fracasso, diz o autor, já na primeira página da obra. Livro escrito em 1970, época em que a quase totalidade dos governos da américa latina era ditatorial. O livro foi banido em vários deles, tanto qu eteve que ser publicado na Espanha. Ah, e como não poderia deixar de ser, o Brasil ocupa boa parte da obra.

“O Contato”, obra-prima do mesmo Sagan. Sagan, que já havia publicado vários livros de caráter científico e filosófico, publica um romance-ficção que prima pela perfeição científica, e tem como tema o conflito entre a igreja e a ciência. Faz isso como ninguém – que eu tenha visto – conseguiu fazer. Espetacular.

Em “O Mal-estar da Civilização”, Fróidi – olha, o que é esta coisa vermelha embaixo da palavra? – expõe as dificuldades e sacrifícios que o homem teve que fazer para poder viver em sociedade. Sim, como todos sabemos, para Freud tudo é tem relação com o sexo. E aqui não poderia ser diferente. Livro de visão extremamente racionalista, mas realmente interessante, pois demonstra uma idéia que eu já acreditava, que é a idéia do homem como ser em constante conflito. Ah, e se você for crente, não leia este livro.

Que livro estou lendo no momento? Sabedoria incomum, do mesmo Fritjof Capra. Este livro é mais uma biografia do autor, onde ele explica como ele adquiriu as idéias que expõe nos livros “O Ponto de Mutação” e “O Tao da Física”.

Ainda estou no começo, mas me parece um livro bastante interessante.

Logicamente que com o tempo falarei mais sobre tais livros, já que muitos deles marcaram profundamente a minha maneira de pensar.

Mudanças ocorreram. E muitas utras estão polvir. Quer dizer, por vir.

Até a próxima.

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