Até a última gota de sangue!

Ontem:

De manhã um friozinho. Adoro este clima ;-)

Acordo cedo, lá para as sete. Resolver uns problemas aí.

À tarde ao DIN. Alguém aí conhece um substituto OpenSource para o MatLab? Pois é, eu não conheço, mas o pessoal do VivaoLinux sim ;-) Na dúvida, instalo o SciLab e o Octave, ambos softwares livres e compatíveis com Windows e Linux. Instalo no Linux e no Windows virtual também. Não tenho a mínima idéia se os professores vão ou não utilizar.

(…)

Mais à tarde era a vez da prova de inglês. Prova oral, um teste para entrar no curso de inglês da UEM, no ILG.

Entro na sala, e nenhuma palavra em português.

Como resumir a conversa? Talvez com um “Sorry”. Fui mal.

(…)

Mais à tarde, quase à noite.

Na UEM há um negócio chamado “trote solidário”, e normalmente levam até o estacionamento do restaurante universitário uma unidade móvel do hemocentro, para que os alunos – principalmente os calouros – doem sangue.

Mas, como disse uma das médicas, ontem veio o pessoal da reportagem do Paraná TV, e não apareceu nenhum calouro para doar.

E eu, como estava lá, sem mais nem menos, pensei: “Não deve arrancar pedaço, não é?”

Fui à guerra.

O que eu posso dizer? Se pudesse, doaria todo dia, porque não há mordomia maior.

Você chega e faz o cadastro com o pessoal das mesinhas, pergunta alguma coisa idiota – sou muito bom nisso -, e espera nas cadeirinhas lá fora.

Aí eles te perguntam quanto tempo faz que você ingeriu alimento e tal. Aí te perguntam se ainda cabe alguma coisa no estômago.

Por acaso tem como negar comida? Eles te dão sanduíche de queijo com presunto, e suco de laranja. Mas a mordomia não pára por aí.

Você entra no ônibus, faz uns exames de sangue – uma espetadinha no dedo que mais parece uma bexiga cheia de água – , temperatura (33,6) e pressão (10/7). Em seguida senta numa mesa, onde uma médica te faz uma série de perguntas. Tudo OK (pula essa parte).

Num outro lugar do ônibus há uma caixinha onde você deposita um papel com umas perguntas. Nem li direito. Sem problemas.

Aí finalmente senta-se numa, como é o nome?, uma espécie de poltrona, meio cama, sei lá, e ela faz a limpeza da pele, amarra aquela bochacha – que quando moleque, chamávamos de tripa de mico, e a molecadinha da rua fazia estilingue para matar pombinhas; crueldade pura – no seu braço.

Pega aquela agulha incrivelmente grossa e enfia no seu braço – lógico que te pedindo para virar o rosto para o outro lado, mas o outro lado é o vidro do ônibus, quase um espelho; melhor olhar para a frente ;-) -, mas não dói.

Te dá uma bolinha de borracha – a minha era amarela! – para você ficar apertando. É gostoso apertar aquele negócio. Quando mais raiva você tem, mais forte aperta, e mais sangue é bombeado. Boa terapia ;-)

Algumas perguntas idiotas, como se eles retiram mais sangue de quem tem sangue “O negativo” – doador universal, e coisas do tipo.

Depois de 7 minutos – o meu foram sete exatos! – ela tira a agulha, coloca o curativo e diz para eu esperar mais um pouco, pois estava de moto. Vai que eu saio de uma vez, vou sair de moto, desmaio, atropelo um cachorro, entro na frente de um caminhão, sou atropelado por uma ambulância, e …

Passados estes minutos – e depois de vários “você está bem?”, devido à minha natural palidez – você vai à outro compartimento do ônibus, onde há quatro mesas, cada uma com um sanduíche, um pedaço de bolo, suco e umas bolachinhas de chocolate.

Eles ainda te presenteiam com uma camiseta da campanha, com as inscrições:

“HEMOCENTRO E VOCÊ

HÁ 15 ANOS SALVANDO

VIDAS”

Com um coração vermelho no meio. Muito bonita a camiseta que, embora seja G, eu ache que tenha ficado um pouco pequena para mim. “Pequena o que? Você tá louco?”, diz minha irmã, que está um tanto chata comigo nos últimos dias.

Lógico que a camiseta não é dada sempre, mas em determinadas ocasiões, como no caso do trote.

Ah, e junto da camiseta vem um bom-bom sonho de valsa! Não é o máximo?

Por isso, quando você não tiver nada pra fazer, passe num hemocentro da sua cidade e retire uns 400ml de sangue deste seu traseiro gordo. Não vai fazer muita diferença não, pois eles compensam com os sanduíches ;-) Não te garanto que eles irão te tratar tão bem quanto me trataram, mas certamente será uma ótima experiência. Sério.

(…)

À tarde – um pequeno regresso temporal – o Marco aparece no DIN, já que ele saiu de lá e deixou o povo na mão, sem saber como/o que fazer com o laboratório ;-)

Querem colocar todos os programas e documentação dos mesmos num repositório interno do laboratório, para o uso dos próprios desenvolvedores, para não ficar nessa de, quando um cara vai embora, levar todo o conhecimento com ele. Profundo, não?

A idéia era colocar um repositório no site com um nome legal, tipo o SourceForge ou RubyForge.

Forja? É tipo um forno. E se escreve com Jota (J), senão fica forga ;-)

Melhor não, decidem deixar algo mais simples, só uma letra pê (P), ao estilo google.

(…)

E temos mais um professor no DIN. O André Noel vai de professor de IA (inteligência artificial), e já vejo confusão à vista ;-) É brincadeira. É que com o André, o cara do Ubuntu, ninguém mais perguntará nada para mim quando tiver alguma dúvida no Linux. Invejinha infantil, né?

Boa sorte André ;-)

(…)

O engraçado é quando chego em casa e digo à minha mãe que doei sangue, mostrando o curativo no braço. Hahaha, vocês não conhecem minha mãe (nem é preciso), não viram a cara que ela ficou. “Quer comer um lanchinho?”. “Tá bem, não tá sentindo tontura? Não vai desmaiar?” hauahuahau

(…)

Para provar que doar sangue não dói, vejam um depoimento real:

(…)

Navegando pelo blog da Fabiane Lima, li que na escola ela sofria de bullying… Calmae. “Sofria de… ” parece doença. Li que ela sofria bullying. Fui então procurar na wikipédia o que seria isto:

Bullying é um termo de origem inglesa utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz/es de se defender. A palavra “Bully” significa “valentão”, o autor das agressões. A vítima, ou alvo, é a que sofre os efeitos delas. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma.

Então me vem à cabeça a época de escola.

Por incrível que pareça, mesmo eu tendo de tudo para sofrer de tal mal na escola e procurando me isolar dos outros, sempre acabava sendo puxado para os grupos, portanto não tenho tantos “traumas” desta época. Mas via muita gente que sofria muito mais com preconceitos idiotas.

Havia uma menina – isso em 1998,1999? – que sofria de obesidade mórbida. Ela era bem gorda, mas gorda mesmo, tanto que teve que fazer uma cirurgia de redução de estômago, anos mais tarde. Aí uma vez a Daniele começou a xingar ela de gorda, no meio do recreio – a típica cena de seriados norte-americanos. Mas o mais engraçado é que a própria Daniele não era nenhum pouco magra!

Lógico que éramos crianças – 11,12 anos? -, mas imagino como devem estar as duas hoje.

Mas que diferença faz mesmo?

 

 

 

Hoje:
Deu trabalho para tirar o curativo, que ficou colado na pele e nos pelos do braço. Para tirar, só molhando mesmo, senão acabaria fazendo depilação. Ainda ficaram dois hematomas bem pequenos na pele, por causa da agulha, mas isso a médica já tinha me avisado que iria acontecer.

(…)

Descoberta interessante da semana: Hemocentro não é um lugar cheio de emos! Duh!

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One Comment

  1. Romeu
    Posted março 5, 2008 at 9:36 | Permalink

    http://www.scilab.org/

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