Um breve relato de minha ida ao Latinoware e Paraguai

Muito bem. Descrevo aqui, dentre outras coisas, uma seqüencia de cagadas ensaiadas.

Pré-Install

Nerd que é nerd tem que ir à eventos nerds. É fato.
Comigo não poderia ser diferente. Latinoware. Um evento com nerds internacionais. Os que eu havia ido eram mais próximos casa, tanto que neles eu ia de bicicleta.

Queria garantir minha presença. Tanto que mesmo o evento acontecendo nos dias 12 e 13 de novembro, em setembro – ou outubro? Só sei que foi bem no início – eu já havia feito minha inscrição. Paguei também o dinheiro do hotel, para o Elton, que estava organizando a caravana.
Primeira cagada. Fiz a inscrição. Paguei no banco, via boleto. Me lembro disso pois no dia paguei mais um boleto, de uma camiseta. Ambos ficaram R$ 30,00. Sessenta ao todo.
O dia do evento chegando. O pior é que ele acontecia bem no meio da semana, e no final do ano, com várias provas concentradas. Mas não tem problema.
Dia do evento chegou. Então o Elton me avisa que minha inscrição não constava no evento. Agora é procurar um comprovante de que eu paguei. Procuro em casa. Nada. Só achei o da camiseta.
Vou ao banco onde sempre pago – o Itaú da UEM. Um tempo na fila. Falo com a mulher do caixa. Explico minha situação. Pergunto se era possível imprimir, sei lá, um comprovante de pagamento do boleto. Ela me diz que sim, mas que era necessário eu saber exatamente o dia do pagamento, e que isso demoraria pelo menos três dias, pois eles teriam que procurar manualmente caixa por caixa o registro do pagamento. Mas eu precisava para aquele dia. Agora, como pode um registro eletrônico – é dada uma baixa do pagamento pelo computador – não têm um acesso imediato, como seria necessário num sistema digitalizado? Nunca me responderam essa pergunta. Ou responderam, mas eu não quis ouvir.

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Agora, se eu realmente não paguei o boleto, onde enfiei foram parar os trinta reais?

Tá legal. Sabia que teria que pagar novamente a inscrição. Nada me impediria de ir, já que, mesmo não tendo pago a inscrição, eu havia pago o hotel e já tinha minha vaga no ônibus. Então é só fazer a inscrição quando chegar lá – mais R$ 50,00.

À noite, dez horas. Hora prevista para a saída do ônibus: Dez e meia. Hora prevista de chegada à Foz do Iguaçu: sete da manhã.

À noite. Dez horas. Saio do carro. Ninguém ainda. Esperar então. Meu pai sai do carro. Vai andar também. Passa pelo prédio da rádio universitária.
Um museu. Carroças. Me explica que no tempo dele as carroças que andavam na rua eram daquele tipo. Rodas de madeira. Bem engraçado.

O pessoal começa a chegar. O pessoal era das outras turmas. Eu antes achava que estava carregando muita coisa: uma mala. Mas assim que o pessoal chegava, percebi que não era.

O que eu tinha no bolso? É engraçado, mas além de um relógio e bolacha recheada, havia um pregador de roupas em meu bolso. Não se já falei, mas eu sempre estou apertando alguma coisa. Em casa normalmente fico apertanto um pregador de roupas. É inconsciente. Às vezes descubro vários em meu bolso. Se há alguma piranha – estes negócios que as mulheres usam para prender o cabelo – podem tirar de perto de mim, pois já quebrei a piranha de muita gente ;-)

Hora de partir. Todo mundo dos cursos de Ciência da Computação e Informática já havia chagado. Umas quarenta pessoas. Mas havia três ônibus.

Explico. Era para vir mais uma turma de administração, mas sei lá porque diabos, não vieram. Dilema: três ônibus para menos de 50 pessoas. Trocas de pessoal para cá. Troca para lá, e lá se vai o tempo. Já era mais de meia-noite. Então resolvem sair. Situação dos ônibus? O pessoal de CC “apertados” em um, e os poucos de Info à vontade no outro. Para se ter uma idéia: no ônibus que estavamos – vazio – cada um conseguiu ocupar os dois assentos. Alguns até dormiram. O Rodolfo mesmo, deitou assim que entrou na primeira vez no ônibus, e só acordou no dia seguinte, com a cara toda inchada.

Ônibus liga. Hora de zarpar. A noite ia ser longa. A viagem dura cerca de 5 ou seis horas. Mas eu não conseguia dormir. O pessoal ligou o toca-CDs do ônibus, e colocaram Green Day. Juro que, ao ouvir duas vezes o disco “Americam Idiota”, me tornei o fã número um da banda.

Minha diversão: ficar olhando a estrada madrugada adentro. As horas passam. Mas vi coisas que nunca havia visto antes, como as araucárias, árvores nativas do sul do país, mas inexistentes onde moro. Mas no oeste elas ainda podem ser vistas entre os vastos pastos de floresta desmatada.

Chegamos. Vários ônibus também chagaram. Já é dia. Umas sete da manhã.
Nos enganaram. Estava no cronograma para chegar às seis da manhã, mas o evento começaria às de, sendo que estas quatro horas antes seriam para resolver problemas de inscrição – filma eu Galvão – e para nos arrumarmos no Hotel.

Nos entregam a bolsa e o crachá – o meu fresquinho ;-)

Hora de ir para o Hotel.

Obs: Como só o pré-evento já deu mais que uma página de texto, vou resumir a parte do hotel.

Chegamos no Hotel e deixamos as malas lá. É muito mais que isso – talvez nem seja isso, já que faz mais de um mês, então já devo ter esquecido boa parte.

Então tomar banho e ir para o evento. Tomar banho? Acho que sim.

Primeiro dia

Quando chegamos ao evento já era quase dez horas. E já tinha bastante gente comendo os “docinhos” e “salgadinhos” que estavam servindo. Em especial, estava o Júlio Neves. Comendo, é lógico. E eu não poderia perder aquela chance de encher a barriga ;-)

Depois disso, abertura do evento, no salão de eventos. Muita gente. Pouco banco. Pouco espaço. Muitos ficaram de pé, inclusive eu. Só no meio da palestra eu saí um pouco e peguei a programação do evento.

Nisso, já estava acontecendo vários mini-cursos. Por isso achei que o evento já começou mal-organizado.

E lá foi eu achar um mini-curso. Cheio. Cheio. Queria ir num do KToon, mas também cheio. Então entrei numa oficina do Lives, que é um editor de vídeos não-linear. Entrei, anotei meu nome e tudo.

Sento-me na frente do computador.
Senha? Senha? Ah, sim. O cara me informa a senha e eu logo. O cara tinha um notebook bem compacto, com o Ubuntu instalado.

A internet não funciona. Troco de máquina. Também não.

Uma fuçada aqui, outra acolá. Proxies aqui, proxies acolá.

As máquinas do laboratório – todas P4+1GB de RAM com o Ubuntu Gusty – não estavam preparadas para mini-curso, e nós tinhamos que instalar manualmente do site getdeb.net, já que o programa não estava nos repositórios. Mas, à cada pacote instalado, era uma nova dependência. Algumas dependências estavam nos repositórios, e espelho interno do lugar não estava funcionando. Nada funcionava. Como o sudo estava configurado para o usuário fazer o que quiser, podíamos fazer o que quiséssemos com a máquina. Então fui tentar colocar os repositórios oficiais do Ubuntu na lista dos repositórios. Mas não funcionava. Putz.

“Ah, acho que o problema está no repositório de vocês, que não está funcionando.”

E toda hora vinha um cara, com jeitão e sotaque de gringo para ajudar a resolver os problemas. Seu nome – ou apelido, sei lá – é Salsaman, desenvolvedor do programa e questão. E sabe como é inglês quando vem no Brasil…. Baixinho e gordinho, camiseta leve, óculos escuro na cabeça, dois botões da camisa abertos – Foz do Iguaçu é um lugar muito quente – com tufos de cabelo saindo da mesma camisa. Não, eu não tive que me esforçar para ver isso. Ele falava o português com um pouco de dificuldade, mas nada que impedisse o entendimento.

E nada de o programa funcionar. Só funcionou em uma máquina. E a paraguaia que estava usando foi a única que efetivamente participou do mini-curso. Agora imaginem: Um inglês tentando ensinar uma paraguaia a usar seu programa, sendo que este estava em português do Brasil. Ele se perdia nos diálogos que ele próprio criou ;-)

Então saio em busca de um outro mini-curso. Mas não acho nenhum interessante. Fico praticamente andando de um lado para outro até às oito horas da tarde, hora em que o ônibus nos buscaria para mirante da usina. Enquanto isso, sempre comia uma coisa ou outra, quando serviam. Nem precisei almoçar ou jantar!

Ah não. Não fiquei até às oito horas andando não. Houve uma hora em que entrei numa das salas e lá fiquei. Era a Sala San Ignacius Mini (Alguma referência ao Richard Stallman?).

A palestrante era Patricia Fisch. falando sobre “Como o processo colaborativo pode auxiliar na confecção e disseminação de conteúdo livre para a educação”. O nome é longo mas a palestra foi legal, mesmo eu tendo chegado quase no final.

Mas o que temos agora? Ah, “Porque uso Linux e minha experiência com o OLPC. Rodrigo Moresco”.

O que posso dizer… Uma das “palestras” mais hilárias que já vi. O “palestrante” tinha 9 anos. O que ele foi fazer lá? Mostrar que o Linux está pronto para qualquer usuário.
Comentava que nunca tinha usado Windows. Havia aprendido a usar o Linux desde cedo.
Suas frases faziam todos rirem. Mas a que eu mas gostei foi: “Eu nunca usei o Windows. Em casa só tem Linux. Até minha irmã usa Linux. Eu não instalaria Windows porque… Porque ele não funcionaria; travaria”.
E todos riam.

Uma foto dele pode ser encontrada no site do Ktoon, aqui. A criança em primeiro plano é o Rodrigo Moresco, a mulher à seu lado é Patricia Fisch. O homem que olha diretamente para a cãmera é o desenvolvedor do Ktoon, Gustavo Gonzáles. Ao fundo, Jon “maddog” Hall.

Então aí saio. Nada pra fazer. Palestras chatas – as boas estavam no dia seguinte. Vou em direção ao outro lado – outro mesmo, pois o salão de eventos, antigo cinema, era à uns 700m de onde estávamos.

Pela passarela. Calor de mais de 40° e eu de camiseta preta. Indo também em direção ao outro lado estava o tal do Salsaman. Cabisbaixo, talvez por quase ninguém falar inglês. Ah, e notei também que ele pisa torto. É o conhecido “pisar para dentro”.

Ainda no caminho. “Vem cá, eles estão vendendo estas camisetas por aí?” .
“Não sei cara, pode ser que sim”.
Pois eu estava usando a minha camiseta do Slackware. Aliás, à julgar pela camiseta, eu era o único Slacker dali.

Nada no outro lado. Volto então para o lado onde estavam acontecendo as palestras e mini-cursos. Entro na sala onde estava um Venezuelano, boliviano, ou sei lá. Ele fazia parte do projeto Ututo, uma das poucas distros recomendadas pelo Richard Stallman. Como eu não entendo bulhufas de espanhol, peguei um aparelho tradutor. Nossa, palestra monótona. Um cara de CC até dormiu.

Agora não dá. Hora de ir.

Saindo, encontro um cara, que não me recordo o nome, mas que já conhecia de outros eventos – foi com ele que discuti sobre o Enlightenment no FLISOL. Ele sabia meu nome, pois havia lido no meu crachá. Como não tive a mesma idéia?
“Rapaz, mas que camiseta é essa?”. A inscrição do Debian em sua camiseta o denunciava.

Máquina de aplausos: o prozac dos auditórios

Entro então no primeiro auditório, o da palestra de abertura do evento. Ninguém no recinto. Só um cara mexendo no equipamento. De repente, ouço aplausos. Mas não há ninguém na sala.
Meus caros, o sonho acabou. Descobri a máquina de aplausos. Percebam que o início de qualquer salva de palmas começa igual, no mesmo ritmo. Ela talvez sirva para as pessoas sentirem que alguém está aplaudindo, e começarem a aplaudir também. Por isso, por mais que por mais chata que possa estar uma palestra, sempre haverá aplausos.

(…)

Ir esperar o ônibus. Chegando lá combinamos de ir para o Paraguai no dia seguinte, para fazer compras, já que no dia 15, combinado para essa atividade, Cidade del Leste estaria muito lotada.

Combinado e o ônibus chega. Nos leva até o mirante, de onde podemos ter uma visão privilegiada da usina.

Tudo escuro. Som alto. Cara com voz de locutor de rádio. Telão falando da construção da usina.

Luzes acendem. “Ohhh”. Oito quilômetros de puro concreto em nossa frente. “Ô, tem como dar licença, para eu tirar uma foto?” Ah, é claro.

Um espetáculo de luzes.

Na verdade nem me espantei tanto, pois tudo parecia muito pequeno. Os “caminhões de brinquedo” lá embaixo denunciavam minha falta de noção de espaço.

Hora de partir. E o caminho de volta passa bem nos pés das turbinas. Agora eu fico espantado. É mais fácil ver a grandiosidade de algo ao olha-la de baixo. Pela janela viamos o tamanho do buraco cavado para construir aquela monstruosidade – a maior obra feita pelo homem.

No caminho, o ônibus para para o povo comprar cerveja num bar. “Não obrigado, não bebo”.

Chegando ao hotel, hora de descançar.

The hackerman!

No hotel, uma só máquina para acessarmos a Internet. Windows XP. Você comprava um cartão, digitava o código dele no sistema, e poderia usar o tempo determinado.
Preços?
– R$ 2,00 por quinze minutos;
– R$ 5,00 por meia hora;
– R$ 8,00 por uma hora;

Ou seja, um absurdo. O que poderíamos fazer? O hotel ficava numa rodovia, e não havia nada por perto; eles podiam cobrar o preço que quisessem.

cartao.pngMas eram 40 marmanjos – e duas damas ;-) – dos cursos de CC e Info. É claro que bloqueio algum nos impediria de usar o sistema de uma forma mais barata. Uma hora ou outra alguém descobriria uma brecha. Afinal, aquilo era um sistema Windows ou não?

No caso, por uma mera coincidência do destino, este alguém foi eu. Comprei um cartão para quinze minutos. Usei por mais de uma hora. Só parei porque cansei, e não gostaria que percebessem que eu estava “burlando o sistema”.

O sistema exibia um relógio com uma contagem regressiva. Acabou, só comprando mais crédito. Não tinamos acesso aos menus de contexto, ao menu iniciar, ou à qualquer atalho de teclado. Só assim mesmo para um Windows ficar seguro. Ou não.

Havia um ícone na área de trabalho, que dava acesso ao explorer. Ah, é a minha deixa. Navego até “C:\WINDOWS\system32\” e executo o programa taskmgr.exe, que é o gerenciador de processos do Windows. Voiala, mato o processo do timer, e posso usar o sistema normalmente, sem, restrições. Fiz isso várias vezes. Uma hora perdi o meu cartão, mas em cima da mesa havia vários usados, com coisas como 1min restante, mas suficientes para eu usar.

Agora me diga: O cara ou empresa que criou o sistema foi muito porco. Custava rodar o processo como administrador? Será que todo usuário é retardado, ou eu sou nerd demais?

É claro que só avisei o pessoal da minha turma da “falha” só depois que já havia usado o sistema o quanto queria. E sempre apagando os cookies depois de usar, é claro. Nem sei como o pessoal do hotel não percebeu aquele monte de gente aglomerado em cima do computador…

Conhecendo o Paraguai e “os esquema”

Combinado. Sairiamos no dia seguinte de manhã – perdendo as palestras que ocorrem neste horário – e pegaríamos carona num ônibus de uma outra turma, que também estava hospedada no mesmo hotel. Esta última parte – da carona – foi na hora, pois não havia mais ônibus algum para a gente pegar.

O tempo fecha. Literalmente. A chuva vai se forte.

Chegamos à Ponte da Amizade. Já está chovendo. Uns pegam uma van para atravessar os 552,4 metros da ponte. O nosso grupo – uns 5 – atravessamos de busão. Dois reais.

Chegando do outro lado, vislumbramos a maravilha que é Cidade del Leste. Ruas hiper-íngremes. Não há sinalização. No meio do caos, nos vemos diante da tentação de não seguir a sinalização também. Atravessamos em qualquer lugar. Um carro quebrado embaixo daquele viaduto. Grandes outdoors nos prédios.
Ruas estreitas. Lojas nas calçadas. Vendem de tudo. DVD, Playstation 2, Playstation 3. Comida. Não vou mentir, nunca comeria.

Ruas íngremes, que com a intensa chuva – vi poucas iguais aquela, em mina vida toda – se tornavam verdadeiras corredeiras. Paramos para comprar capas de chuva. Dessas descartáveis.
“Dois reales. Dois reales”. Essa é a frase que marcou minha ida ao Paraguai. Era o preço da capa. Dei uma nota de cinco, e a paraguaia me deu duas de dois. Há uma coisa errada aí, eu sei. Mas acho que eu ainda saí perdendo.

Ah, esqueci de falar.
NumDeGagadasEnsaiadas++;

Eu não levei dinheiro na viagem, pois esperava achar uma CAIXA onde pudesse fazer um saque. Mas não achei. Fiquei, portanto, sem dinheiro para fazer compras. Tinha só pouco mais de R$50,00 na carteira. Fui lá só pra saber como funcionam “os esquema”.
Então passamos numa casa de câmbio, onde o Guilhereme tirou mais de mil reais da meia – acho que do pé esquerdo. Seguranças armados com escopetas na porta. Lá o pessoal anda armado mesmo. Adeus real; olá dólar.

Passamos em várias lojas. Master 10, IcomPy, e outras. O pessoal compra uma câmera digital, um tênis e mais alguma coisa… Eu só fui vendo o preço das coisa, para no dia seguinte comprar.
Feito. Monitor LG de 19′ WideScreen por U$ 190,00. Ficava 359 reais. Um bom preço. E ainda dois MP3-players genéricos de 2GB, que ficariam cada um por menos de U$ 50,00.

Meu tênis já estava todo encharcado – andava e fazia splash ;-) – , e já havíamos andado bastante.

Hora de voltar. Como já estávamos molhados e estrupiados – menos ;-) – decidimos atravessar a ponte à pé. Mas ainda chovia. E a ponte balançava, com o vento. Ela estava vazia. Tirando os carros, não havia ninguém atravessando à pé. Éramos os únicos.

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Olho para trás. Quando volto para frente, trombo com um poste, bem no meio da ponte.

brazilparaguayborder.jpgNo mais, vimos a marcação que divide os dois países.

Na aduana, passei direto, já que não tinha comprado nada.

O pessoal teve que passar na aduana, para declarar o que foi comprado. Uns quarenta minutos, e já estavam no outro lado.

Hora de ir embora. Mas o pessoal do ônibus estava demorando muito, além do horário que foi estabelecido para a volta. E eu não queria perder as palestras da tarde. Fomos então eu, o Gulherme e o japonês de taxi para o Hotel. Ficou quinze reais que, dividido entre os três, 5 para cada. Viu como sou bom em matemática?

Chegamos no Hotel, cada um tomou um banho, e saímos para o evento. Várias coisas aí, mas vou ao final.
Mas antes, na saída do hotel, passamos pelo campo de futebol. Olho para o lado. Quando volto para frente, trombo na baliza do Gol.

NumDeVezesQueTrombeiComUmPoste++;

No evento. Chegamos. É o que interessa.

Segundo dia de evento: mais (ou menos) organizado

No segundo dia, eu já tinha programado cada palestra que iria. A ordem era a seguinte:

09:00-12:00 – “Empacotamento de software no Debian GNU/Linux”
12:00-13:00 – “Coçar o saco”, por mim mesmo ;-)
13:00-14:00 – “Projeto Fedora”
14:00-15:00 – “GNOME, o que é e como participar”
15:00-16:00 – “Where do we the next fifty Itaipus”, por Jon “maddog” Hall
16:00-17:00 – “Potencialidades p/ o Desktop livre”
17:00-18:00 – “Desenvolvendo jogos livres com o KDE 4
18:00-20:00 – “The Free Software Movement and the GNU/Linux Operating System”, por Richard Stallman

Como podemos ver, minha agenda estava completa, com tempo até para coçar o saco.
Mas, com o problema do Paraguai, acabei perdendo tudo até o meio-dia. E, como sou muito organizado, acabei indo – no horário 13:00-14:00 – não na palestra do Fedora, mas numa do KToon – ferramenta de animação -, onde o palestrante era o próprio desenvolvedor do software. A palestra foi legal. Eu, como não entendo espanhol, peguei o aparelho de tradução novamente.
E olha, te digo uma coisa: a julgar pelo que eu vi, é perfeitamente possível a criação de ferramentas de animação livres que concorram com o conhecido flash.

E o mais engraçado foi no final, quando acabou a palestra, mas o cara que faz a tradução em tempo-real continuou com o aparelho ligado, sem perceber. E nós continuamos ouvindo tudo que ele dizia para o outro cara.. hauah Não lembro ao certo o que era, mas foi engraçado. E a gente lá embaixo ria…

A sala em questão era a mesma que logo após seria a palestra do GNOME. Por isso decidi ficar. E me sentei bem lá na frente.

Havia pouca gente presente, talvez porque dali a uma hora seria a palestra do Maddog.

A palestrante era Izabel Valverde, que cuida da parte “comercial” do projeto GNOME. Ela falou da história do ambiente, sobre como podemos colaborar, etc. O mais engraçado é que eu era o único que estava prestando atenção.

“Perguntas?”

Foi a minha deixa. Perguntei sobre a questão do Miguel de Icaza, sobre o comentário do Linus Torvalds, sobre o GNOME tratar o usuário como um idiota – lógico que fui bem-educado -, sobre questão dos acordos da Novell com a MS, e o envolvimento do Miguel de Icaza e o GNOME nisso, dentre outras coisas. Ela, muito bem-educada me respondeu cada uma das perguntas. E todo mundo achava estranho, pois parecia que eu era o único que sabia do que se tratava a palestra ali ;-)

No final da palestra, quando todo mundo foi embora, fui falar com ela, fazer mais perguntas. E ela respondia.

Descobri, dentre outras coisas, que o Miguel de Icaza não participa efetivamente – com código – do desenvolvimento do código do GNOME desde o início do projeto. E um dos motivos dele ter saído do projeto era a questão do acordo da Novell com a Microsoft.
O que mais? Ela acabou me dando uma camiseta do GNOME. Ela é preta, atrás está escrito “br.gnome.org”, e, na frente, ” tem um pé – logo do GNOME – em forma de balão, com a inscrição “GNOME is celebrating 10 years”, de azul.
Imagina, eu, usuário KDE, com uma camiseta do GNOME? Ponto para eles, já que o pessoal do KDE não me deu uma também.

Palestra seguinte… “Fedora 8 – WereWolf – Palestra de lançamento”. Aqui foi um cara falar dos novos recursos do Fedora, e como ele está pronto para o usuário, melhor que o Windows. Fez vários testes com bluetooth, etc, etc, etc. Foi aí que aconteceu o episódio do MPlayer.

A seguinte, e meio misturada, foi uma que apresentava o XO, conhecido Laptop de U$ 100,00.

Muito bonitinho o aparelho. Parece de brinquedo na aparência, mas apresenta uma interface muito poderosa. Foram exibidos vários recursos da interface Sugar, sua vantagem diante dos concorrentes – Classmate, etc -, e outras coisa a mais.

“Perguntas?”

Foi a minha deixa novamente. Não vou mentir: eu sou um chato ;-) Perguntei sobre a questão do nome “Laptop de U$100,00”, e ele me explicou que este nome foi dado pelo mídia, e não faz parte do projeto. A intenção inicial era que um dia chegassem a produzir o laptop por este preço, mas não era o foco do projeto.

Perguntei novamente sobre a questão da concorrência, e ele me explicou que o foco do XO é a educação. Não é um projeto comercial, portanto não concorre diretamente com o EeePC, por exemplo.

(…)

Merda! Já são 16:00! Acabei perdendo a palestra do Maddog! Putz, vê-se que eu não sou muito bom para seguir horários. Ah, já que estou aqui, vamos então assistir a palestra sobre jogos no KDE 4, que aconteceria na mesma sala.
Ela começou bem atrasada, então só pude assistir o começo, pois tive que sair para pegar um bom lugar na palestra do Richard Stallman, além de um aparelho tradutor.

O pessoal da minha turma estava bem na primeira fila. Eles nem guardaram um lugar para mim nela, por isso tive que sentar na segunda…

Começa a palestra. “Senhor Richard Stallman!”.

Meu aparelho estava com defeito, e estava fora de freqüencia. Por isso toda hora tinha que mover ele de lugar, para poder ouvir bem.

Stallman coloca seu notebook – com a distro gNewSense – na cadeira ao lado, chega na frente, tira o sapato, coça o saco – ou desenrosca a cueca ;-) -, e começa a falar.

A palestra tem duração de duas horas, mas que passam muito rápido. Ele toma um chazinho – chá-mate -, e começa a falar. E fala muito. Desde a MS, patentes de software, motivos da formalização do movimento GNU, fez críticas ao sistema eleitoral brasileiro, pelo uso de urnas eletrônicas, várias críticas ao governo Bush, dentre outras coisa (muitas coisas), sua “crítica” ao OpenSource em relação ao Free Software, a diferença de pensamentos entre ele e o Linus, etc.

Meu aparelho continuava a não funcionar direito, então coloquei o fone numa só orelha, tentando com a outra entender o que ele dizia, em inglês mesmo. Consegui entender várias coisas.

“Perguntas?”

“Minha deixa?” Não. Infelizmente eu ainda estava pensando em alguma pergunta.

Um cara – venezuelano, sei lá – levanta a mão e faz a pergunta. Em castelhano mesmo, já que o Stallman fala espanhol. Não me lembro ao certo qual foi a pergunta.

Depois, foi a vez de um brasileiro. Ele tentou perguntar em inglês, mas o Stallman não entendia nada que ele dizia. O tradutor então tentava dar uma ajuda. Não lembro ao certo qual foi a pergunta.

Ninguém levanta a mão? Então lá vou eu. Levanto, pedindo o microfone. Digo que vou perguntar e português mesmo.

A pergunta que fiz foi sobre o Hurd, se ele ainda continua no desenvolvimento deste kernel, e se espera que este seja um dia substituto do Linux no projeto GNU.

Ele disse que não, que o Linux funciona muito bem, e no momento ele não mais trabalha no Hurd; que este atualmente está na mão da comunidade.

Depois foi a vez da pergunta de uma menina, no qual o Stallman foi demasiado grosseiro. Foi a pergunta+resposta mais demorada.
Sem mais tempo para perguntas, Stallman decide mostrar sua outra face – parte engraçada. Tira uma manta de trás da mesa, um disquete da década de 70 – maior que um vinil – e coloca na cabeça. Pronto, personificou o São Ignacius.
Fala da igreja Emacs, da luta contra o mal. Mal? Microsoft? Nada disso. O mal, sedundo ele, responde pelo nome de Vi – o editor de textos concorrente. Ele cita três vezes: Vi, Vi, Vi. Eu demorei a entender, mas depois o Juliano me explicou: VI é seis em algarismos romanos. E seis pronunciado três vezes é igual à 666! HUAHAUA.

Depois disso, acaba a o tempo da palestra.

Então é hora das fotos. O que vai de gente em cima do véio… Então é hora de organizar. ara não ir todo mundo de uma vez, vamos organizar em grupos de três ou quatro – pedido do próprio RMS, já acostumado com aquilo. Quem tirou as fotos foi o pessoal de Comunicação Social de Itaipu. Alguns que levaram máquina fotográfica tiraram por eles mesmo. Na verdade O Gulherme comprou a máquina exatamente para isso.

Hora de ir embora.

No hotel, vários combinaram de ir no Show do Nenhum de Nós. Eu não fui, por achar que a banda tinha morrido no início da década de 90. Fiquei no hotel mesmo.

O que tem na TV? Aha! Lá pegava vários canais do Paraguai.

Programação? Telejornais em espanhol, comerciais de disk-sexo, propagandas de cigarro – lá não é proibido.

Mas o melhor foi quando sintonizei na novela Almas Gêmeas… É muito engraçado assistir novela brasileira dublada! HAUHAUA.

Hora de dormir. Estava calor, por isso não peguei cobertor. Só lençol – e roupa, é claro.

O pessoal volta do show – umas três da manhã – e vão dormir também. Nisso, eu ainda estava enrolando para dormir.

Mas o tempo esfriou um pouco. Mesmo assim eu ainda de lençol.

Combinamos que no dia seguinte – feriado – iríamos no Paraguai. Desta vez todo mundo.

Mas eu ainda estava sem dinheiro. Combinei com o Guilherme que no dia seguinte eu sairia de manhã à procura de um banco para tirar dinheiro, para depois irmos para o Paraguai.

O início do Fim

No dia seguinte, acordo tremendo. A janela estava aberta, e o tempo tinha esfriado. Acho que cheguei à quase hipotermia. Levanto tremendo, visto uma calça e duas blusas. Mesmo assim ainda tremendo.

Então pego um ônibus, em direção à cidade. Quero achar um banco aberto. Mas não acho. Acabo de descobrir que não existem CAIXAs 24h. A esperança é ir na agência central, que fica no centro da cidade. Então pego outro ônibus.

Chegando lá, era seis da manhã. E o banco só abria às sete, horário que o pessoal havia combinado de sair do Hotel. E eu não avisei ninguém da minha saída.

NumDeGagadasEnsaiadas++;

Esperar então o banco abrir.

Nisso, o termômetro no centro da praça marcava 14 ºC, e já estava mais quente. Ou seja, quando eu acordei, devia estar menos de 10 ºC.

Sete horas. O banco abre. Um cara entra, e eu fico distante. Ruas vazias. Ruas bonitas.
O cara sai, e eu entro.

Valor se saque: R$ 600,00.

“Você não pode tirar mais que R$ 400,00”.

Mas que merda que é essa? O dinheiro é meu, e eu preciso de 600 reais! Que droga de limite de saque é essa?
Depois de várias tentativas, pego os 400 reais e saio do bando frustrado.

Como já passam das sete, decido ir direto para a ponte, onde o pessoal uma hora ou outra chegaria. Mas não chegam. Tento ligar para o Hotel, mas eles não entendem o recado, além de a ligação ser péssima. Assim, decido esperar mais um pouco até eles chegarem.

Mas, como não chegam, decido atravessar a ponte sozinho. E à pé. Ponte lotada, já que era feriado.

Mas, como já sabia em que loja comprar, pois já havia combinado preço, desconto e tudo, sabia que seria rápido, além de o tempo estar mais ensolarado.

Vou então na IconPy, para comprar só o monitor, já que o dinheiro só dava para isso mesmo.

Voltando para o Brasil, atravessando a ponte de um lado, lá vem o povo pelo outro lado. Nisso eram umas nove horas. Então combinamos de eu ir para o Hotel, esperar por eles.

Chego na aduana. Declarar o que foi comprado. Anota no “papélzinho”. Até aí, tudo bem, tirando a falta de canetas e a dificuldade de escrever sobre uma superfície molhada (da chuva do dia anterior).

“Identidade”. Perae. Procuro, procuro, procuro, e não acho meu RG. Putz, será que esqueci essa merda? Mas eu já havia usado ele antes, no evento. Será que esqueci lá? E também não trouxe minha carta de motorista, que também vale como documento.

Merda!

“Faz o seguinte: entra naquela sala, e fala com o pessoal lá, pra ver o que podemos fazer.”

Não puderam fazer nada. Eu estava sem nenhum documento oficial com foto.

NumDeGagadasEnsaiadas++;

Não poderia passar com a mercadoria. Então me falaram para voltar para o hotel e pegar o RG. Voltando, poderia pegar o Monitor e partir normalmente.

Deixo o monitor lá, e quando saio da aduana, já no Brasil, procuro mais atentamente em minha carteira.

Aprendam crianças: não usem carteiras com “compartimentos secretos”. Eles só atrapalharão suas vidas.
Então volto, pelo mesmo lugar que saí.

“Hey, você”.

Olho para trás, e nada.

“Hey, você. Por aí não pode passar não”. Disse para mim o guarda armado.

“Ah, tá. Desculpa, eu não sabia”.

Então volto, dou a volta, e novamente no posto de fiscalização da aduana.

“Mas já foi no Hotel?”

“É, o RG estava com um amigo”. Não iria dizer havia achado num bolso escondido da carteira, certo? ;-)

Eles olham meu RG, e me mandam para outra sala.

NumDeGagadasEnsaiadas++;

Putz, quando saí de casa acabei não pegando meu RG original, mas uma cópia! Que burro que eu sou…

Já ouvi falar de muita gente que passou na aduana com uma cópia do RG, mas como eu já estava lá dentro da fiscalização, o cara da Receita Federal era mais durão. Sem chance.

Quando entrei, havia um senhor sendo revistado.

Olharam na sua bolsa. Um monte de relógios.

“Você tem mais alguma coisa aí, seu Tomé?”
“Não. Não tenho não”.
“Seu Tomé, levanta a barra da calça”

Ele levanta. E aparecem vários relógios, grudados na sua perna com fita-crepe.

“Eita seu Tomé. Tem mais alguma coisa aí?”
“Não, Tenho não”
“Levanta a barra da outra perna, seu Tomé”

E ele levanta; mais relógios.

“Eita Seu Tomé”

O Seu Tomé senta ao meu lado e abaixa a cabeça.
Ele ria, mas eu sentia o seu desespero. Mas como eu ia prestar atenção no desespero dele, se eu já tinha o meu.

“Pode vim”. Me chamaram.

Eu expliquei meu caso, mas o cara da Receita – um japonês – disse que eu não poderia passar. Disse que só poderia passar com a mercadoria se apresentasse um documento original com foto.
Eu disse que não seria possível.
Ele então me sugeriu pedir para alguém me enviar o documento. Mas os correios estavam fechados – 15 de novembro, feriado. Me sugere então que eu peça para alguém enviar o documento numa viagem de ônibus, que as empresas de ônibus tem um serviço de entrega expressa.

Revistaram a caixa do monitor. Abriram e, em seguida, fecharam novamente.

“Ou você pode ir para casa, e voltar em até 30 dias, que até lá a mercadoria estará neste endereço: (…)”.

Decido aceitar o primeiro conselho, de pedir para meus pais enviarem o documento. Pego uma guia, que não poderia perder (senão perderia o monitor). E volto para o Hotel. Mas teria que passar mais um dia lá em Foz.

Nisso, de tanto andar de ônibus, já conhecia boa parte da cidade ;-)

Volto para o Hotel e espero que o povo chegue. E eles chegam às 17:00.

Enquanto a hora não chega, ligo para casa várias vezes, para combinar o que fazer. E eles aceitam. Explico tudo certinho. E te falo: é engraçado ver um cartão de telefone ir acabando em contagem regressiva, com os constantes interurbanos. Também converso com minha irmã pelo MSN, graças ao cartão mágico de R$ 2,00 ;-)

O povo chega. Explico minha situação, e que voltarei para Maringá no dia seguinte, e que eles poderiam ir sem mim.
Não sabe a aflição que dá quando você vê o ônibus partindo, e repentinamente se vê à 300Km de casa ;-)

Ainda fiquei sabendo que teve um povo que não foi ao Paraguai, mas sim nas Cataratas, e lá encontraram o Richard Stallman. Até tiraram foto sem aquela confusão do evento. Mas como é que eu perco um negócio destes?

Passo na recepção, e há R$ 6,50 de débitos não quitados no quarto 57 em nome de Leandro Santiago. Um cartão de Internet de dois reais mais uma ligação interurbana – “Quando você chegar, liga para cá” – de quatro reais.

Pago. E ainda peço para o pessoal do Hotel para eu passar aquela noite no sofá da recepção. Eles hesitam, tentam me oferecer um quarto – R$ 80,00 pela noite -, mas eu digo que não tenho dinheiro – só R$ 20,00 no bolso -, e eles me deixam ficar no sofazinho.

Dez horas sentado num sofá. Uma hora entrava na Internet, noutra ia na cantina. Mas só compro uma coca-cola sem açucar – a única que tinha – por quatro reais.

E o tempo não passava. Era mais de meia-noite, e junta um monte de gente. Eu acordo, e um deles me pede para bater uma foto para eles. Eu, quase dormindo, tiro a foto. Mas não durmo.

Passam as horas. Cinco da manhã eu levanto, agradeço ao pessoal do Hotel, e saio.

Meus pais disseram que o cara da empresa de ônibus disse – uff! – que os documentos estariam no guichê da rodoviária no dia anterior às onze da noite. Mas como andar à noite em Foz não é algo tão recomendado, decido pega-los no dia seguinte.

Pois bem. Saio. Agradeço o pessoal. Pego minhas malas. Hora de partir.

Pego um ônibus para o terminal e, em seguida, para a rodoviária. Na rodoviária, passo no guichê da Expresso Maringá e pergunto se meu documento já chegou. Ele diz que não. Me disse para ir no posto da empresa, que ficava “logo ali”.

Mas eu não acho o “logo ali”, e volto para perguntar exatamente onde fica.

“Logo ali. Você segue reto, e no final da rua, vira à esquerda. Fica ao lado da borracharia”.

Certo. Ao lado da borracharia. Chego lá, numa salinha. Uma mulher me atende, e diz que ainda não chegou a encomenda.

Nessa hora, tinha certeza de que o ônibus tinha batido, e o documento nunca chegaria. Tudo em vão.
Mas a gente sempre pensa no pior, né?

Saio então. Guardo minhas malas (uma mala e uma bolsa, do evento) no guarda-volumes da rodoviária. Dois reais por volume. Quatro ao todo.

“Não perde esse papel, senão não poderá resgatar as malas”.

Como eu ainda tinha tempo e não tinha dinheiro, peguei um busão e fui para o banco. Já aberto, entro, e vejo um cara “esmurrando” o caixa eletrônico.

“Que porra. Esse negócio não deixa eu tirar mais que R$ 400,00!”.

E eu ria por dentro, pois passei pelo mesmo problema ;-)

Retiro R$ 200,00 e saio do banco.

A plaquinha de uma lojinha no terminal dizia:

“Vende-se mel, própolis, pólen e cera de abelha”.

Pensei: “Só faltam vender A abelha” ;-)

O ônibus chega. Na rodoviávia, volto ao local onde chegam as encomendas. Mas nada ainda. Decido esperar. Sento-me numa cadeira “de bar”.

Dali à alguns minutos, chega um ônibus, com algumas encomendas.

Ufa… Chegaram….

“Epa, você não vai abrir a caixa, pra saber se chegou tudo certo?”

Putz… “Ah, lógico. É que eu tô muito nervoso” ;-)

Mas estava tudo lá. Agradeço à moça e saio para pegar um ônibus; direto para a aduana.

No caminho, de dentro do ônibus, vimos coisas engraçadas. Bem, não tão engraçadas…
Primeiro, na pista ao lado havia um Impala – um carro – modificado, com uma carroceria na parte de trás, como se fosse um caminhão. Todos olhavam aquele carro estranho. Nada discreto, pois era vermelho.

Mais à frente, por causa do trânsito, havia uma grande fila de carros para atravessar a ponte. Eu já combino com o motorista para eu descer antes da ponte. Então vemos várias crianças olhando mais á frente. Olhamos adiante, para ver o que estava acontecendo.

O que estava acontecendo, meu caros, era um assalto. Duas crianças tentavam à todo custo roubar o motorista e o passageiro de um taxi. Um deles abria a porta, puxando o passageiro para fora. Até que saem correndo, talvez já tendo cumprido “o seu papel social”.

Uma mulher dentro do ônibus ficou revoltada. “Mas como é que ninguém faz nada? Como eles podem fazer isso e ninguém faz nada?”. o motorista, paraguaio de uns trinta-e-poucos anos, só respondia rindo, quando perguntamos o que era aquilo. “É um assalto. Um assalto”. Como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

(…)

Na aduana, o mesmo japonês da receita. Apresento o RG e o guia, e ele me entrega o Monitor. O cara é legal. Honesto, estava fazendo o trabalho dele. E ainda me ajudou, sugerindo o negócio do envio do documento.

Hora de preencher os dados no computador.
– Data de nascimento?
– Dezesseis de Novembro de mil novecentos e oitenta e sete.
– Dezesseis de novembro? Hoje é seu aniversário. Quantos anos?
– Vinte.
– Parabéns.
– Obrigado.

Ele me entrega a caixa. Mas quando a entreguei, ela estava enrolada em várias sacolas. Agora eles estavam me devolvendo só a caixa. E não é muito legal andar com uma caixa escrito “Monitor LG 19′ Flatron”, né? Ainda mais depois que vi o assalto.
Peço para ele uma sacola preta. Eles procuram, mas não acham. A solução foi uma mala que estava lá jogada – talvez numa apreensão de drogas. A mala estava novinha. Uma dessas bem grandes (para caber a a caixa do monitor). Deve custar mais que cem reais aqui no Brasil.

“Beleza, perdi um dia, mas ganhei uma mala” ;-)

Agradeço o cara da receita, pelo a mala, tudo já declarado. Passo pela revista lá fora, e…..

LIBERDADE!

Agora é só voltar pra casa ;-)

Quando você sai da aduana, aparecem vários moto-taxistas perguntando se vai uma corrida.
“Não, não. Valeu”.

De volta à rodoviária. Nisso são quase dez horas.

Pós-Install

Vou na cabine do Expresso Maringá, e pergunto se ainda tem passagem para Maringá, para o meio-dia.
“Não tem, já está lotado. Agora só tem para as duas horas.”

Como não estava em condições de reclamar, comprei para as duas horas. Agora é esperar até lá, sentado neste banco de rodoviária.

Ligo para casa, dizendo que já tinha resolvido tudo.

Pego minhas malas e fico esperando. Sentadinho ;-)

Não sei se já disse, mas eu pareço criança. Quando não tenho o que fazer, fico observando as pessoas que passam.

Um senhor do meu lado. Seu ônibus chegou.

Um rapaz que passa. Parece estranho, mas ele tinha os pés virados para trás. Devia ser alguma doença genética, ou má-formação, sei lá.

Um cara no banco da frente. Ele lia o livro “Estudos sobre o Apocalipse”. Possivelmente nem estava lendo, mas só tentando se mostrar intelectual. Achei engraçado que ele já era bastante calvo, mas tentava “tampar a careca” com as mechas de cabelo que ainda tinha dos lados. Muito engraçado ;-)

As horas passam – não tão rápido quanto descrevo aqui. Compro um lanche na lanchonete da rodoviária – onde o cafezinho custa mais de um real. E termino de tomar a Coca-Cola que tinha comprado no Hotel. Peço um copo para a garçonete.

Sabe do mais engraçado? A coca ainda estava gelada! Como? Eu a coloquei dentro da bolsa que deram no Latinoware. Ela tem um compartimento acolchoado com isolamento térmico, para você colocar um notebook. A bolsa eu já tinha; só faltava o notebook ;-)

O ônibus chega. Até que enfim!

Coloco minhas malas no bagageiro. Entro e sento na minha poltrona. Confortável.

Mas havia um problema: O ônibus era “pinga-pinga”. Um destes que param em cada cidade que passam.
A lista das cidades que ele parou (em algumas delas eu perguntava para o motorista o nome):
– Santa Terezinha do Itaipu;
– São Miguel do Iguaçu;
– Medianeira;
– Matelândia;

Nesta, lembro que tive que ir ao banheiro (dois litros de coca-cola). E te digo: Quer um esporte radical? Este esporte se chama “Urinar num ônibus em movimento”. À cada curva que ele fazia, você tem que refazer a mira. É complicado, sabia? Fiquei mais de cinco minutos nisso…

– Céu Azul;
– Cascavel;
– Corbélia;
– Ouro Verde;
– Ubiratã;
– Araucária;
– Campina da Lagoa;
– Juranda;
– Mamborê;
– Campo Mourão;
– Ivailândia;
– Floresta;

Ainda perdi duas cidades neste final. Mas não tem problema. Também tivemos uma parada para lanche e “esticar a perna” em algum momento. Nisso liguei para casa, do orelhão do posto.
Quando volvei para o ônibus, acabei derrubando um como d’água no chão, “alagando” o chão do ônibus. Mas eu só faço merda mesmo…

NumDeGagadasEnsaiadas++;

E Maringá! Ufa! Cheguei.

Relatório Final

Como o ônibus parava em todo lugar, a viagem demorou nove horas. Chego em casa quase meia-noite. E exausto.

Meus pais me esperavam na rodoviária, e estranharam a mala “extra” que eu carregava ;-)

Cheguei à conclusão preconceituosa de que todos os paraguaios são iguais. Não moralmente, mas em aparência. Isso talvez pelo fato de o país vizinho não ter passado por um processo de miscigenação tão grande como o nosso.

NumDeGagadasEnsaiadas: 6

NumDeVezesQueTrombeiComUmPoste: 2

Gastos: R$ 50,00 da inscrição + ~R$ 30,00 de porcarias + ~ R$ 25,00 de ônibus + R$ 360,00 do monitor + R$ 30,00 do envio dos documentos + R$ 4,00 dos dois volumes guardados na rodoviária + R$ 67,00 da passagem de volta = Muito mais do que pretendia.

Mas, em compensação, um monitorzão de 19′ widescreen, que aqui custaria em torno de R$ 800,00. Vocês têm idéia do que é usar uma resolução de 1440×900? Fazer coisas como exibir duas páginas Web lado-a-lado?

Dias sem ir no Banheiro (fazer o número dois): 4. Sim. Assim que saí de Maringá, meu intestino parou de funcionar.

Dias sem tomar banho: 2 . Hehe, fazer o que?

Dias sem comer uma comida que enchesse a barriga: Pelo menos 2.

E chegando em casa, a primeira coisa que fiz? Instalar o monitor, é claro. Depois ir no banheiro (maldito num. 2) e tomar um longo banho. Ordem de prioridade, tá achando o que? ;-)

Sim, este foi o aniversário mais estranho que já tive. Meu presente? Acho que meu presente maior foi um tapa na cara, pra largar de ser besta, dado pela própria vida. Vinte anos foram rápido demais, e sinto que ainda não dei um rumo para minha vida. Quem sabe ano que vem?

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3 Comments

  1. Tiaggs
    Posted janeiro 28, 2008 at 15:50 | Permalink

    KAKAKAKAKAKAKAKA Cara li tudinho, nunca ri tanto na minha vida, que aventura em……

  2. Diego moreira
    Posted outubro 11, 2010 at 2:39 | Permalink

    Cara que aventura hem da um curta metragem muito engraçdo sua jornada hahaha
    :)

  3. Pati
    Posted setembro 30, 2011 at 16:37 | Permalink

    Acheeeeii o máximooo essa histooriaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!
    Mes que vem vou pra la espero ao passar por tudo isso!!

One Trackback

  1. […] como ultimamente não estou muito “assim” com aniversários, melhor deixar para lá. Estava pensando até em hospedar este blog num site próprio. Estava […]

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