É tão emocionante um acidente de verdade!

Cá estou eu no meu quarto.

Ouço então um barulho de moto. Motoqueiro que adora “empinar” a moto, sabe?

Em seguida, um barulho abafado. Como alguma coisa batendo na lataria de um carro. Esse alguma coisa era o mesmo motoqueiro que faz barulho.

Saio lá fora e olho pelo muro. Aglomerou gente.

Entro, pego a chave do portão e saio na rua para ver. Mas antes aviso meus pais do ocorrido.

Eles levantam e vão lá ver também.

O acidente aconteceu na outra rua, mas como a data atrás da minha casa é vazia, deu para ouvir pela janela o som bem de perto. Uns 15 metros de distância da minha janela, acho.

Como a rua é deserta, pelo fato de ser um loteamento novo, os motoqueiros adoram correr ali. Não só eles, mas motoristas e pedestres também ;-)

Já é o seguinte acidente que ocorre praticamente no mesmo local. Como não há sinalização, todo mundo acha que tem a preferência. “Vamo correr então”.

E dá em merda. Uma moto. Titan, acho. Um Fiat Palio.

Uma roda. Uma porta. Um motoqueiro no chão.

Eu fiquei de longe, prestando atenção. Meu pai já foi perto pra ver.

Depois voltei pra casa. Me troquei, já indo dormir.

Mas volto lá. Continuam lá. Um cara no chão e um monte de gente em cima.

Fico sabendo que o motoqueiro era o Amauri, que mora aqui perto. A gente não era amigo, mas se conhecia há tempos.

Calma. Ele não morreu não. Acho que não foi muito grave, pois nem chamaram ambulância, e depois de um tempo a coisa acalmou.

Mas, na hora que ouvi o barulho, já me veio à mente a música Metrópole, da Legião Urbana. Uma música pouco conhecida, e foge bem ao estilo “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã” que as pessoas estão acostumadas. Mas é bem legal. Tem a questão da crítica social – presente em quase todos os discos da Legião, pelo menos nos não-depressivos ;-)

Lá vai a letra:

Metrópole

Legião urbana

“É sangue mesmo, não é mertiolate”
E todos querem ver
E comentar a novidade.
“É tão emocionante um acidente de verdade”
Estão todos satisfeitos
Com o sucesso do desastre:
Vai passar na televisão
“Por gentileza, aguarde um momento.
Sem carteirinha não tem atendimento –
Carteira de trabalho assinada, sim senhor.
Olha o tumulto: façam fila por favor.
Todos com a documentação.
Quem não tem senha não tem lugar marcado.
Eu sinto muito mas já passa do horário.
Entendo seu problema mas não posso resolver:
É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver.
Ordens são ordens.
Em todo caso já temos sua ficha.
Só falta o recibo comprovando residência.
Pra limpar todo esse sangue, chamei a faxineira –
E agora eu vou indo senão perco a novela

 

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