Um dia eu aprendo e um sonho que merece uma melhor explicação sob o ponto de vista psicanalítico

Um sonho de verdade, sem recheio de chocolate

Estava preocupado, pois não sabia se ainda seria possível entregar minha folha-de-presença, pois já era para ter feito no mês passado. O certo é todo dia 31, mas eu sempre entrego no dia primeiro. Mas já era dia cinco e eu não havia o feito.

Vou à outra sala, e está o cara, e mais um monte de gente. Sala cheia. Mas o que me chamou a atenção foi uma mulher negra, muito bem-vestida, terno talvez. Me olhava nos olhos.

E todos riam.

Aí ele me pergunta algo como “Será que se eu for fazer essa prova, eles me deixam usar o google?”

Aí eu digo “Acho que sim. Se eles fazem a prova deste jeito, devem confiar em você, acreditando que não vai usar”.

E todos riam. Isso que eu disse pareceu uma piada. Havia vários computadores portáteis. Cada um com o seu. E eles pareciam rodar Windows. Deu para ver pelo papel-de-parede e o plano de fundo vermelho (depois explico isto).

Eis que elas surgem. Fazia tempos que não as via. Uns quatro anos, acho. Eram umas quatro ou cinco, e cantavam “parabéns para você” para mim. Lembrei de todas. Dos nomes, inclusive. Menos de uma. Ela estava com cara de brava, talvez por eu não ter lembrado o seu nome. E eu não sabia o que dizer. Foi uma surpresa para mim. Não as via desde o colégio. Ensino-Médio. Já faz um tempo.

Mas ela continuava com cara de brava. Juliana, Cristiane, não sei. Não lembrava seu nome.

Me abraçavam, pelo meu aniversário, dando parabéns.

Mas estava chovendo. Um barulho de água escorrendo.

Droga. Acordo. Não, não é o que vocês estão pensando.

Meio dormindo, abro os olhos. Droga, era um sonho. Não tinha festa alguma. Frustração.

E o barulho de água continuava. Achei que era chuva, pois o feriadão foi muito chuvoso, e tem uma calha perto da janela.

Fico sem saber o que era. Levanto e coloco o ouvido para fora.

Sempre durmo de janela aberta. Só fecho a janela do quarto quando chove. E olha lá, pois se estiver chovendo “para lá”, eu ainda deixo aberta. Gosto de deixar bem arejado. Não gosto de lugares fechados. Me sinto sufocado. Principalmente com ar-condicionado ligado.

Levanto. Ouvido para fora. De onde vem o barulho. Pensamento devagar. Não pode ser chuva, pois o céu está limpo – muitas estrelas.

Meio acordado.

Levanto de vez. Já ouço no outro quarto, através das portas e paredes, meus pais falando. Eu levanto, vou até a cozinha.

Estava a torneira da pia não pingando, mas semi-aberta. Já havia enchido uma panela que lá estava. Fecho a torneira.

“É, era a torneira” – falo

“Era a torneira?” – minha mãe

“Eu sabia que era a torneira” – meu pai

Volto para o quarto. Fico pensando no sonho.

Meu aniversário é agora dia dezesseis. Mas tenho medo de não haver ninguém comemorando, me dando parabéns. Não as pessoas certas. Deito na cama.

Não acredito no sonho. Foi muito real. O sonho mais real. Pela primeira vez senti cheiro no sonho. Não sei se isso é devido ao fato de eu dormir de janela aberta. Mesmo nos dias de frio, onde me cubro bem. Aí uma brisa entra no quarto. Vento bom. Um ar puro. E eu respiro fundo, sentindo o vento no rosto. Mas foi estranho. E estava frio, tanto que eu estava bem enrolado na coberta.

Não acredito. Pego o primeiro papel que achei pela frente, pra anotar tudo isso, pois sabia que esqueceria no dia seguinte. Caderno de algoritmos.

Em meio às árvores binárias. Nisso são 03:49 da manhã. Não consigo mais dormir.

“Não está conseguindo dormir?” – minha mãe, atrás das portas e paredes.

Não respondo. Apago a luz, deito na cama.

Começo a pensar. Lembrar de um passado que acho que esqueci. Arrependimentos. Do que eu poderia ter feito e não fiz. Do que eu fiz e poderia ter feito melhor. Os amigos que foram embora. Tentava lembrar o nome dela. Não era a primeira vez que aparecia num sonho nessa noite. Juliana, acho. Época do Pólo. Jogava vôlei bem. Tinha um bom saque.

Ela era curitibana, portanto tinha um sotaque engraçado para gente.

Eu me lembrava dela sempre com cara de brava comigo. Já tive minha fase ‘Ari Toledo’. Alguns gostavam, outros não. Pensamentos. Mas não era nada com ela. Apareceu no sonho de penetra. Nem lembrava mais.

A sensação de perda de sentido. Várias coisas martelando na cabeça. Coisas que sempre martelam quando não consigo dormir. Mas que sempre esqueço no dia seguinte. E eu sei disso.

Me revirava na cama, mas não conseguia dormir. Não sei quanto tempo.

Do que eu poderia ter dito e não disse. Se minha vida hoje seria o que é. Quantas vezes poderia ter dito “Te amo”, mas não disse, talvez por medo, não sei. Quantas vezes poderia ter chorado, mas não chorei, e fiz com que acreditassem em minha frieza… Aff, esqueça, melhor parar por aqui, antes que este vire um post emo ;-)

Mas dormi. E sonhei de novo. Mas um sonho inútil, não vale a pena.

Um dia eu aprendo

Um dia eu sei que aprendo. Não sou o Super-Man. Não sou de ferro. E ainda mais uma pessoa que já foi internada mais de uma vez por causa de pneumonia. Esses dias mesmo, peguei uma gripe filha-da-mãe. Mas da mesma forma que veio, se foi.

Saio hoje de moto, para a aula. Deu preguiça de ir de bicicleta.

Bermuda, desde cedo. Motor da moto quente. O escapamento fica também, mesmo com um “protetor” que ele tem. Encosto a perna nele. Iss. Dói. Isso foi quando parei na locadora, para entregar um filme – Irmãos Grimm, é legalzinho, mas não vale a pena. Disfarço, engulo a dor, como sempre faço.

Entrego o filme. A perna parece boa. Só uma vermehidãozinha. Normal.

Vou pra aula. Matemática discreta. Exercício. Esqueci a folha de exercício. Some isso à incrível vontade de aprender… Preciso de 5,0 pra passar nessa matéria.

Preguiça de prestar atenção.

Uma lapiseira. Uma borracha. Uma carteira.

Me chamem de vândalo. Começo à rabiscar.

Decido então tentar desenhar uma mão. Não sei se te disse, mas quando era pequeno, eu desenhava relativamente bem. Enquanto as outras crianças desenhavam as pessoas quadradas, enormes, árvores pequenas, casas “quadradas”, coisas “longe e perto” uma ao lado da outra, utilizando a base da folha como chão, eu já tinha noção de perspectiva. Sabia que o longe era menor. As coisas tinham volume. O céu é azul e as nuvens brancas, e não o contrário.

Mas este foi um momento breve. Hoje não desenho merda alguma.

Mas decidi desenhar uma mão. Minha mão. Olhava ela e reproduzia na carteira. Mas parecia que ela estava virada para baixo; e não para cima, já que olhava sua palma. Muito trabalho, dedos desproporcionais. Uns rabiscos ali, outros aqui. Ficou bom. Ficou realmente parecido com uma mão. Deixei a mão na carteira e saí. Para a biblioteca. Fui ler umas Folhas de São Paulo.

Havia uma mulher que pegou várias delas. Como sabia que ela não leria todas de uma vez, sentei na mesma mesa que ela. No fim, só não consegui ler uma, pois ela demorou pra terminar.

Li o que tinha que ler. Tirinhas, Crônicas. “O cérebro funciona como um computador – é a melhor analogia quae achamos”. “Lemures-voadores são parentes de primatas e não são lemures. E nem voam, só planam”

Saio da biblioteca. O vermelho na perna dá lugar para um vermelho-escuro, quase roxo. E bolhas saltam da pele. Mas não dói.

Vamos ver como fica. Se minha mãe ver, fica louca ;-)

Ah, e sempre quando eu rabisco uma carteira, apago depois. Por isso que uso lapiseira. facilita. Quinta feira eu limpo. Prometo.

PS: Porque o papel-de-parede do Windows era vermelho? Ué, porque era um sonho, ora!

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