Mais uma vez, falando mal do Ubuntu…

Devo admitir. Mesmo não sendo usuário do Ubuntu, mas do Slackware, vejo que a distribuição Linux sul-africana é uma das melhores distribuições atuais.
Sim. Ela conseguiu o que as outras distros não conseguiram em 15 anos: tornar o Linux um pouco mais popular. Fazer com que o mundo soubesse o que significava aquele pingüim – castrado?!.
Admito que uma das minhas diversões é falar mal do Ubuntu – logo vê-se que não tenho mais o que fazer… ;-) Mas sei que esse “falar mal” é, de certa forma, algo infundado. Pois, embora o Slackware e o Ubuntu pareçam extremos de um mesmo espectro, os dois tentam fazer a mesma coisa, mas de maneira diferente: Facilitar o uso do computador pelo usuário.
Mas, mesmo assim, venho aqui para falar mal do Ubuntu. Não mal de dizer que é ruim, mas mal por eu não ter me adaptado à ele – e para me divertir ;-)

Primeiramente: O Ubuntu matou o Linux.
“Como assim? O Ubuntu não é Linux?” Sim. Mas, antes dele, o Linux era Linux, e não Ubuntu. O Ubuntu tem campanhas como: “Venha traduzir o Ubuntu”, e “O sistema Operacional Ubuntu”. Caramba! Antes do Ubuntu ninguém traduzia distribuição alguma! O pessoal traduzia o Linux – tá, e as ferramentas GNU, etc.
Sei que o que o Ubuntu traduz não fica somente com ele; é “repassado” para as outras distros – e que boa parte dos programas que temos hoje em português foram traduzidos pela sua equipe -, mas só a maneira de lidar com a coisa já me deixa irado ;-)
“Sistema Operacional Ubuntu”. Sei que gente vai vir me dizer a definição de sistema operacional. Não quero nem saber. Antes do Ubuntu existia o Linux. Sistema Operacional Linux. O que havia eram distribuições que utilizavam este kernel. O Ubuntu é sim, da maneira que tratamos um sistema operacional, não só um núcleo, a parte que faz a comunicação entre o hardware e o usuário, mas também um conjunto de aplicativos, interface gráfica, joguinhos, etc. Mas, mesmo assim, ele ainda é “só” mais uma distribuição.

Pecando pelo excesso de facilidade:
Facilidade demais irrita. Eu acredito nisso.
O que você faz quando vai realizar uma tarefa qualquer – qualquer mesmo, pode ser a coisa mais simples – e já aparece alguém com o queijo e a faca na mão, esperando que você corte (putz, que péssimo). Você vai fazer algo que já está tudo pronto para você “só” fazer este algo, sem se preocupar em mais nada? Isso parece ser o paraíso, certo? Mas já imaginou que graça teria a vida se houvesse um assistente que tentasse facilitar tudo? A facilitação é inimiga da liberdade de criação e execução.
Vejo isso na própria interface da distribuição. O GNOME. Sei que o GNOME não é o Ubuntu, mas como disse com relação ao Linux, o Ubuntu também matou o GNOME. Não que ele tenha ocultado o GNOME da história. Muito pelo contrário. O ítem “Sobre o GNOME” continua lá. Acontece que para a maioria das pessoas para quem o Ubuntu é direcionado – novos usuários – aquela É a interface do Ubuntu. Aquilo é Ubuntu, assim como sabemos que o “Menuzinho Iniciar” mostra que um sistema é o Windows.

A interface do GNOME é extremamente chata. Os botões tem labels, que são complicadas de serem removidas. Caramba, se eu vejo um botão apontando para a esquerda, sei que aquilo significa “Voltar”. Sei que a casinha significa “Home”. Mas aí eles escrevem “Voltar” e “Pasta do Usuário” embaixo destes botões! Pode isso?
Gosto do KDE/Konqueror justamente pelo oposto disso: eu clico com o botão direito em cima do botão e escolho se ele terá label ou não; Escolho o tamanho do ícone, e quais barras quero que apareçam. O pessoal do GNOME quis simplificar demais o ambiente de trabalho. E isso não me agrada. Mas quem sou eu, perto da quantidade de usuários que amam este ambiente?
Ainda bem que existe essa diversidade de interfaces gráficas… Nem quero lembrar a época em que utilizava Windows…

Bash-Completation: Outro exemplo de facilidade que só atrapalha.
Não tenho nada contra os desenvolvedores dessa extensão do bash, mas ela até ajuda os “novos usuários da tela preta”, mas só atrapalha a vida de quem realmente gosta e acha útil a interface em modo texto.
Quem vive na frente de uma tela preta sabe que a tecla TAB é a melhor amiga do Nerd viciado em Linux. Ela é tudo num terminal. Mas, ao restringir o que o usuário pode manipular ou não, através de filtros, só o atrapalha. Um exemplo é quando quero abrir um arquivo com um aplicativo, e o tipo deste arquivo não está no banco-de-dados do aplicativo em questão – costumo fazer isso com vídeos, trocando suas extensões, para que não saibam o que tem neles.. HUAHAU.
Por mais que você dê TAB, ele não completa o nome do arquivo! Ou quando quero descompactar um arquivo, mas não sei se ele é .tar.bz2 ou .tar.gz. Normalmente eu faço “tar zxvf <primeiros caracteres do nome dele> TAB”. Sem o bash-completation, o nome é auto-completado. Se ele for um .tar.bz2, eu só troco o “z” por um “j”. Fácil. Eu não sou burro, sei que se não fizer vai dar erro. Já com o bash-completation, você deve digitar o comando “tintim-por-tintim”, senão ele não funciona.
Tá, sei que é possível desabilitar o bash-completation, mas se é para ter que ficar configurando o sistema para funcionar do jeito que quero, uso o Slackware, que faz isso muito bem ;-)

Enfim. Sei que vão me chamar de xiita/radical/quer-se-amostrar-fazendo-tudo-na-unha. Fazer o que? É como dizem: Linux é que nem religião. Mesmo se você se disse ateu, estará declarando o que acredita ou não – que caracteriza uma religião. Confuso…

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5 Comments

  1. Posted outubro 28, 2007 at 12:45 | Permalink

    Pensei que só eu pensava assim, achei outro hahaha.
    A unica parte que não concordo é quanto apresentar uma distribuição como um sistema operacional diferente, a muito tempo penso assim, cada uma é um SO diferente para mim, inclusive apresento as pessoas assim, explico as principais diferenças entre elas e tudo mais, se a pessoa mostrar interesse aprofundo a coisa e mando um caminhão de link para ela ler.

    Abraços

  2. freakcode
    Posted novembro 2, 2007 at 23:25 | Permalink

    “Caramba, se eu vejo um botão apontando para a esquerda, sei que aquilo significa “Voltar”. Sei que a casinha significa “Home”. Mas aí eles escrevem “Voltar” e “Pasta do Usuário” embaixo destes botões! Pode isso?”

    Essa foi retardada! Sistema -> Aparência -> Interface -> e escolhe Ícones + Texto, Ícones + Texto lateral, só Ícones, só Texto… você deve ter ficado 3 minutos no GNOME né? :P

  3. Posted novembro 3, 2007 at 0:28 | Permalink

    Na verdade eu usei mais o GNOME 1.8, ainda na época do Red Hat 9.
    No KDE eu clico com o botão direito em cima do botão e escolho como ele fica. É bem mais simples, não acha?
    Mas não quero criar rixas… Discussões como estas ão levam em nada… (Não me pergunte porque comecei a falar mal ;-))

  4. zecarlos
    Posted dezembro 18, 2007 at 21:41 | Permalink

    Cara, tira um tempinho a mais e usa o Ubuntu ou outra distro com GNOME, que você terá outra visão. Tenho certeza que nunca tentou usar o GNOME pra valer. Claro que gosto não se discute e cada um fala/escreve o que quer, mas você escreveu muita bobagem.

  5. Foo
    Posted junho 6, 2008 at 17:51 | Permalink

    Citando o que freakcode …. isso chama-se Usabilidade, Acessibilidade e Interatividade.

    Sem recriminações a sua pessoa mas você esta tentando causar polêmica sendo que você colocou o que ‘você’ não gosta e mais besta ainda somo nós querendo fazer de suas palavras as mais toscas e cretinas.

One Trackback

  1. […] eu tenha afirmado que não tenho nada contra o Ubuntu, aquele texto que escrevi tempos atrás ainda me rende dor-de-cabeça  – o último diz assim: “Como tem gente burra neste mundo. […]

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