Assunto clichê da semana: existem mesmo raças?

Será que existem mesmo raças na espécie humana? Tá, sei que este assunto já se tornou meio batido, de tanto que foi discutido. Mas como isso daqui é a Internet e, tendo percebido que há muita ladainha quando se fala neste assunto, acho que posso expressar minha opinião também.

Primeiramente, o que são raças?

Segundo a wikipédia,

“A raça, do ponto de vista da biologia, é um conceito pouco empregue e é sinônimo de subespécie. No entanto, este termo foi utilizado historicamente para identificar categorias humanas socialmente definidas com base em certos genes que são refletidos através do fenótipo e que estão associados à diferentes modos de divergência organico-evolutiva, já que a evolução jamais caminha em um só sentido, mas sim em vários (e nesse caso foram 3 exatamente; o número de troncos raciais claramente definíveis). Para a antropologia interessa como o termo raça é utilizado para construir identidades culturais e como estes genes raciais competem dentre si pela supremacia químico-fenótipa na chamada competição intra-específica, que ocorre naturalmente dentro de uma mesma espécie, tal como ocorreram com os vários tipos de hominídeos extintos do passado (cada qual adaptado a um tipo de convergência evolutiva diferente).”

Como se pode ver, já há um início de discussão sobre o assunto.

Me pergunto: O que nos faz diferentes, do ponto de vista biológico, a ponto de, ao contrário de qualquer outra espécie deste mundo, não sermos passíveis de processos evolutivos tão comuns, tal como a ‘subespecificação’?

Acho que, para a maioria das pessoas, esta resposta está na religião.

O homem, como ser superior à todos os outros animais, tendo “a imagem e semelhança de seu criador”, é especial demais para sofrer dos mesmos processos que as outras espécies. Embora acreditemos, e mesmo tendo provas que provem que a teoria evolucionista é verdadeira – ou pelo menos é a que mais se destaca como verdadeira -, ainda é difícil aceitar a nossa “inferioridade”, por não sermos mais o centro do universo, mas somente mais uma espécie, num planeta habitado por milhares delas.

Confesso que no começo é difícil, mas depois que você vê aquele mendigo na calçada, numa noite de frio intenso, que te pergunta…

– Ô, você tem cigarro aí?

– Não, tenho não.

… as coisas começam a fazer sentido.

O problema em aceitar a existência “raças” na espécie humana é que isso nos faz lembrar de todas as guerras e massacres que ocorreram, desde o início da humanidade, por uns acharem que deveriam acabar com as raças “impuras”, ou que devessem manter somente uma “raça superior”. A busca pela raça perfeita. Acredito que uma coisa é verificar um fato biológico, outra coisa é sair atrás de um ideal imbecil.

A questão é se devemos acreditar ou não que diferenças genéticas (mínimas, eu sei, mas ainda sim diferenças) serão capazes de tornar uma pessoa superior, mais inteligente que a outra, que seja. Minha opinião? Não.

Assim como eu não acredito que seja possível dizer que “um labrador é mais inteligente que um pastor-alemão”, ou um vira-lata. Nem que um pitbull é mais feroz que um poodle, somente por ser um pitbull. Tá, eu sei que ter uma boca que vai de orelha à orelha é algo que deve fazer você (como cachorro) se sentir mais poderoso, assim como é muito complicado para um daqueles cachorros todos pelancudos, com orelhas enormes correr atrás de uma pessoa, com raiva, e a morder. Mas isso não significa que ele tenha que ser mais calmo. E um cachorro com sentimentos reprimidos é dose… ;-)

Ou seja, o fator biológico influência, mas não determina. É nisso que acredito.

E é lógico que um ataque de um poodle não ter o mesmo efeito que um ataque de um pitbull. Digo isso por ter vários cães em casa (todos vira-latas) e perceber que o fato de serem vira-latas não os tornem iguais. É engraçado como cada um tem uma personalidade própria e uma maneira única de agir frente à uma mesma situação. Tá, nós não somos cachorros, mas será que somos tão diferentes?

Aliás, eu já fui atacado mais vezes por poodles do que por pitbulls. Talvez isso tenha a ver com o preconceito que eu tenho contra essa raça. O estrago não é o mesmo, mas ainda sim não tira a raiva que tenho dessas criaturinhas demoníacas…

E em se falando de pitbulls, já que está havendo uma discussão muito grande sobre eles, esses dias atrás eu vi uma reportagem na televisão sobre treinadores dessa raça. Caramba, eles – marmanjos todos bombados, destes que se você olha meio torto na rua já partem para cima, e muitas vezes criam estes cães para isso também – fazem muitos exercícios legais como treinar o cão para morder objetos altos, morder bonecos, morder… Então o repórter pergunta à um dos treinadores se isto não deixa o animal mais raivoso. “Não, na verdade acontece o contrário. Essa é uma maneira de o animal liberar sua raiva, sua energia.”.

Eu posso não ser a pessoa que mais entende de psicologia animal, mas isso é o mesmo que treinar soldados para que eles sejam mais felizes em seus casamentos (de onde tirei isso?).

A questão é que ter um cachorro feroz é igual carregar uma arma de fogo na cintura. Você se sente Deus. E realmente é. Tem o poder de decidir sobre a vida de todos ao seu redor. Se morrem ou não, quanta dor irão sentir. Você pode até não ter o poder de criar, mas tem o de destruir.

Segundo Freud – ex-acessor do presidente Lula -, o prazer está no orgasmo – é até verdade -, mas acredito que o prazer está também no poder. E poder é você ser capaz de retirar algo muito importante de alguém. Nem que seja liberdade, ou a própria vida. Percebeu como nenhum destes brutamontes sai na rua com o pincher de sua mãe?

Aliás, vocês perceberam que, quando um cruzamento é esperado – quando você coloca o seu São Bernardo para cruzar com a cadela da vizinha – porquê isso soa engraçado?. Mas quando o cruzamento ocorre de forma inesperada – aquele buraco na cerca, você simplesmente chama os filhotes de vira-latas. Portanto não venha com essa de – “que raça é esse cachorro?” .- “Nenhuma, é vira-lata”. Vira-lata é sim sinhô uma raça. Só é meio indefinida… ;-)

Como disse um senhor japonês, que cortou meu cabelo esses dias, daqui há um tempo haverá uma “raça única”, pois está havendo muita mistura entre pessoas de diferentes lugares. Não sei se isso é bom ou não, mas sei que eu sou fruto dessa mistura. Me orgulho de não ser pedigree; mas um… vira-lata ;-)

Obs: Não quero ofender ninguém, desde os que defendem a igualdade entre as pessoas – também defendo isso -, nem às mães de crianças atacadas por pitbulls. Admito que não sinto as suas dores, mas mesmo assim entendo os seus sentimentos.

(…)

E de pai para filho o racismo passa

Em forma de piadas que teria bem mais graça

Se não fossem o retrato da nossa ignorância

Transmitindo a discriminação desde a infância

E o que as crianças aprendem brincando

É nada mais, nada menos do que a estupidez de propagando

(…)

Grabriel O Pensador – Racismo é burrice

Outra coisa que eu odeio são os personagens extremamente estereotipados das novelas da globo (principalmente malhação), quando resolvem tratar do tema preconceito e racismo. O jovem bonzinho – e negro, é claro – que é é ofendido ou discriminado pela cor de sua pele, normalmente pelo vilão que, dentre outras coisas, gosta de roubar doces de crianças e dar uma demoníaca risada depois, decide fazer campanhas de conscientização sobre a igualdade entre brancos e negros, e acaba comovendo todo mundo, lhes ensinando o verdadeiro valor da…

É um erro cometido até pelos que se dizem “defensores da igualdade”: Negros e brancos. Contraste. Teimam nisso, como se só existissem negros e brancos no mundo. Aí qualquer coisa que aconteça: “Ele me discriminou por eu ser negro!”. Caramba. Mas aí eu acabo caindo em outro clichê. Melhor parar por aqui.

Mas nunca se esqueçam que…

Nós assistimos MTV também. E qual é a diferença? – Renato Russo

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