Domingo no Parque

Não queria escrever hoje. Mas não poderia deixar de fazer isto.

Comecei o domingo – ontem – com um colega meu me ligando, perguntando como que faz para mudar o tema do Firefox.

– Mas o que aconteceu?

– Não, é que o Firefox ficou com uma cara estranha, ontem ele tava dando pau, não tava querendo abrir. E depois abriu, mas tava com com uma aparência estranha.

– Ah, faz assim: baixa um tema. Digita na barra de endereço: addons.mozilla.org, e clica num link chamado temas. Aí é só escolher um e baixar.

– Tá, fala o endereço aí.

– É A D D ons Ponto Mozilla M O Z I dois éles A ponto org

– Não não to conseguindo aqui (aí acho que foi culpa minha, pois minha voz no telefone é péssima)

– Então faz assim, é que teve uma atualização dele ontem, e o tema antigo deve ser incompatível. Faz assim: Vai em ferramenta, Complementos. Na janela que vai abrir, clica numa aba chamada Temas. Vai aparecer uma lista com dois temas. Quais aparecem?

– Tem um extreme selecionado aqui.

– Ah, então nele não tem um botão procurar atualizações, ou algo do tipo?

– Não.

– Ah, então o tema deve ser incompatível. Faz assim então: nessa mesma janela tem um link no canto inferior esquerdo escrito alguma coisa como baixar mais temas, obter mais temas, ou coisa do tipo. Clica nele, que você vai pro site de temas.

– Calmae… Não, não tô achando esse link. Calmae Ni. Não, não tô achando.

(…) Algumas instruções, mas nada.

– Ah, deixa pra lá. Eu vou tentando aqui Ni pra ver se consigo.

– Opa, beleza.

– Valeu.

Nem sei se ele conseguiu instalar. Mas será que é tão difícil assim? Acho que para quem não mexe com informática algumas coisas que nos parecem triviais podem ser bastante difíceis.

Mas continuando meu domingo…

Aí um colega meu me ligou para a gente ir jogar vôlei. A gente jogava quando estudava no Pólo, nas aulas de Educação Física. Na verdade era mais aula de lazer, pois a educação física inexiste nas escolas públicas. Não há material, não há espaço, não há investimento. Era mais lazer. Aí eu perguntei quem que ia. Ele disse que ele e o outro cara, o Robinho, que também estudava com a gente. Aí eu disse para ele chamar mais alguém, para jogarmos em times de dois. Ele disse que ia ver. Eu então perguntei à que horas seria. Ele disse que seria às duas e pouco, ou algo assim, pois depois eu me esqueci completamente. Iria ser no Buracão, que é uma espécie de parque que fica aqui perto. Ele tem esse nome por ter sido feito no fundo de um vale. Na verdade é um lago artificial, feito na base do concreto mesmo. Mas é um lugar muito legal.

Tá certo então.

Aí ele ligou, depois de um tempo. pois eu estava fazendo faxina em casa. Essa faxina normalmente acontece aos sábados, mas no sábado ninguém fez nada, e decidimos fazer no domingo. Ligou dizendo que havia chamado outro cara, o Mayco. Eu conhecia ele, mas não sabia seu nome ;-) Sou muito ruim com nomes…

Beleza, seria vinte para às duas no Buracão. Eu perguntei o horário, pois havia esquecido. Beleza, combinado.

Eu estava no computador, acho que tentando instalar o audacious, a versão em desenvolvimento. E quando estou compilando, o tempo passa e eu nem percebo.. hauah. Talvez pela minha máquina ser bem lenta.

Quando percebi que já estava atrasado. Havia dito que iria de bicicleta, mas como estava atrasado, e o buracão fica num fundo de um vale, e um vale é cercado por morros, e eu teria que subir um morro, para depois descer… De bicicleta? Aff… Tô muito sedentário. Resolvi ir de moto mesmo.

No caminho, vi um senhor, que não via há muito tempo. Uns dez anos, acho. Que foi quando cheguei aqui em Maringá. Nã, não conheço ele, nem ele me conhece. Só conheço ele de vista.

Um senhor japonês, bem pequeninhinho, com orelhas grandes, pois o envelhecimento estica o que não deve orelhas, nariz, etc. Ele estava atravessando a rua, pela ciclovia, sempre com um sorriso na cara. me deu uma sensação de leveza naquela hora. Não sei porque. Acho que porque, depois de quase dez anos, ele está igualzinho! Não mudou nada. E olha que há dez anos atrás ele já era bastante “de idade”. É estranho quando coisa engraçadas como essa acontecem.

Tá, continuei. Virei à esquerda, desci a rua, que daria no Buracão. Estacionei a moto. Amarrei o cadeado, pois ela não tem trava. Entrei no parque, já achando que estava atrasado.

Entrei, dei uma olhada, não haviam chegado. Voltei para fora, e percebi que havia estacionado ela muito longe. Longe do portão e da minha vista. trouxe a moto um pouco mais perto. Perto do portão. Pá, prendi ela e tudo OK.

Voltei para o parque. Ele estava bem cheio. Num domingão ensolarado desse, o pessoal quer descansar com os amigos e familiares.

Havia gente estendendo um pano, para fazer piquenique, um casal de namorados à beira do lago, que não tinha nada de especial. Mas acho que estar perto de quem a gente gosta já vale a pena. Uma pena, pois continuava não fazendo sentido para mim.

Um senhor e uma meinininha, provavelmente sua neta, pescando os peixinhos que estavam lá.

Um cara, que havia acabado de chegar, tirou de uma sacola duas varinhas, e as colocou para pegar alguma coisa no lago.

Um molequinho, correndo de um lado para o outro, tentando fazer sua pipa voar. Sem êxito por sinal.

Um casal de namorados deitado no gramado, à sombra, conversando em voz baixa.

Um outro casal sentado ao pé de uma árvore.

Outro casal, no pé de outra árvore.

Minha nossa, quanta árvore!

Como é um vale, e as encostas têm gramado, havia muitas pessoas descendo nelas em cima de papelões e um com uma prancha de skate. Na verdade MEIA prancha. Sem rodinha, é claro.

O tempo ia passando, e nada do Robson chegar.

Sentei embaixo de uma árvore. Havia perto um molequinho com um papelão na mão, num morro bem íngreme. Eu observando se ele ia pular.

– Você duvida que eu pulo, me indagou.

– Eu não disse nada.

E ele pulou e escorregou.

Voltou pro alto.

– Viu? Pulei.

Resolvi então dar uma volta no lago. Saí andando, com o capacete na mão, observando as coisas. O senhor e sua neta continuavam lá, o casal de namorados continuava olhando os peixinhos. Os peixinhos também estavam lá, mas não vi nenhum “pescador” pegar coisa alguma. O menininho continuava correndo para tudo quanto é lado. Ainda sem sucesso.

Numa margem do lago havia uma cabine, indicando que o lago já teve seus dias de glória, quando as pessoas andavem de pedalinho, que são pequenos barcos, onde as pessoas pedalam para que ele se movimente.

pedalinho.jpgEstava abandonado. Uma pena. Se trouxessem os pedalinhos de volta para lago, seria muito legal. Ajudaria à ressuscitar o parque.

Pena mesmo.

Quando passei na outra margem do lago, ouvi:

– Eu quero ser batizado por ti, João.

Acho que era uma espécie de missa ao ar livre. Alguma coisa de batismo de Jesus, não sei.

Continuei a caminhada. O lago é bem grande.

Um carrinho de sorvete. Várias pessoas aglomeradas em volta dele.

– Você quer esse daqui?

– Não, quero aquele ali, diz uma menininha, com a cara toda lambusada de sorvete, quase entrando dentro do carrinho, para conseguir enxergar.

Continuo.

Um grupo de moleques sentados na calçada da ruazinha onde as pessoas caminham. Tipo Bad-Boys. Eh, ninguém mexe com a gente. “Nóis samo um bom”. Imagino até.

Mais à frente, uns jogando bola no campinho.

– Não vai pegar essa porra, caralho!

Nossa, eu tenho que aprender a falar mais palavrões, pois me sinto um estrangeiro no meu país.

– Olha ali. Um passarinho preso no galho, diz uma senhora, pelo visto católica ou evangélica, pelas roupas que usava, na beira da cerca, que dizia para não passar. “Não nade no lago”, através de símbolos.

– Aonde?, eu perguntei.

– Ali naquele galho. Acho que ela está presa. Se alguém pudesse ir lá, com um galho, e tirar ela de lá.

– É, acho que é uma pombinha. Mas eu acho que ela está machucada, e a árvore está bem na beira do lago. Se ela soltar, ela cai.

– É.. nossa, que pema da pombinha.

Me retirei, e a senhora continuou olhando a pombinha, na esperando que alguém ajudasse.

Afinal, o que eu poderia fazer? Entrar lá, tentar pegar ela, ou empurrar, para ver se saia do galho, mas caísse no lago? Eu não podia fazer nada. Procuro não interferir em acontecimentos da natureza.

Cheguei no ponto de partida. Nada do Robson. Já fiquei com raiva.

Subi num morro, que tinha um campo de futebol. Estava um sol lascado, mas mesmo assim agradável. Fiquei lá em cima, olhando as pipas. Olhei para baixo, e vi o resto de uma grade que cercava o campo, para que a bola não fosse longe. Estava no chão, já quase enferrujando. Como pode um lugar daquele estar abandonado assim?

E havia um outro moleque correndo, tentando erguer sua pipa. Corria pra lá e para cá, sem sucesso.

Aí eu falei:

– Ô, baixinho – aqui em mga a gente chama de baixinho, assim como em alguns lugares chamam de piá, ou de guri -, você tem que correm pra lá. Desse jeito aí tá correndo a favor do vento. Assim ela não sobe. Corre pra lá e vai soltando linha.

– É, eu sei, é que essa latinha é muito ruim, a linha não sai.

Realmente. a latinha dele era uma garrafa pet amassada. A linha nunca iria se desenrolar.

Continuei a olhar as pipas.

Me lembrei de quando era mais novo, e ainda soltava pipa. Lembrei dos peixinhos, que eram pipas de duas varetas.

Lembrei de quando, naqueles dias de sol, quando ninguém quer fazer nada de útil, eu ia lá fora para erguer a minha pipa.

Tinha pipa que a gente usava sacola no lugar de seda. Era legal nos dias que o tempo fechava um pouco, e caiam algumas gotas de chuva. Se fosse seda, a pipa rasgava. Ou então quando a gente não tinha dinheiro pra comprar seda (era dez centavos cada).

Lembro de quando fazia rabiola. Eu sempre fui bem cuidadoso com minhas pipas. Procurava recortar a sacolinha o mais fino possível. Ficava mais bonito. Rabiola grossa deixava a pipa pesada. Rabiolas também não podem ser muito grande. Eu costumava cortar ao meio.

Lembro nos desenhos que a gente fazia nas pipas. E tudo colando uma seda na outra. Mas sem colar “uma em cima da outra”. A divisa entre uma cor e outra tinha que ser o mais fina possível. Isto era fácil para partes retas, como uma listra. Mas fazer um círculo era complicadíssimo.

Minhas pipas eram muito boas. Aprendi a fazer aqui em Maringá mesmo, com um primo meu. Tanto que muita gente pedia pra eu fazer. Mas eu nunca vendi nenhuma. Também nunca comprei. Eu fazia de graça mesmo. Sei lá porque…

Lembrei das “manobras” que fazia.

Arrastão é quando você faz a pipa “andar” na horizontal. Fazíamos concurso para ver quem conseguia ir mais longe.

Retão é quando a gente “desbica” a pipa, fazendo ela descer na vertical. Até o chão, para ser mais emocionante, e depois fazer ela voltar. Nossa! eu era bom nisso.

No entanto nunca fui bom em cortar as pipas dos outros. Não gostava disso. Tinha gente que ia só para cortar a pipa dos outros. Eu sempre fui sossegado nisso. Também nunca gostei de usar cerol. Mas muitas era necessário, como defesa.

Lembrei de quando pegava o bambu, cortava e fazia as varetas com a faca do meu pai, ou da minha mãe, não sei ao certo. A mesma faca de cortar carne! È claro que um dia arrumei uma faca só para pipa mesmo.

Lembro de uma vez que fui afinar uma vareta, e a ela quebrou. Tenho a cicatriz no dedo até hoje. Tem o formato do símbolo da Nike…

Lembrei de quando fazia a armação, media certinho tudo, enrolava a linha… E tinha vez que a maldita ficava pensa! A maioria das pessoas colocaria uma rabiola no lado oposto ao que está “puxando”. Nunca gostei muito disso. Procurava sempre fazer outra.

Ou quando colocava a pipa sobre uma chama, para que a seda ficasse bem esticada, ou quando envergava ela, e a seda às fezes rasgava, de tão esticada que ficava. Os manhorões, que são pipas bem grandes, mas sem rabiola. Eles não fazem muita coisa. Só ficam lá no céu, paradas. Mas sempre quando alguém aparecia com uma eu ficava lá, admirando…

Mas, voltando à realidade…

Estava lá vendo as pipas. E o molequinho ainda de um lado para outro. Quando percebi, uma lágrima pingou do meu olho. Acho que foi um cisco. Mas acho que ninguém percebeu…

Ando muito nostalgico.

E o desgraçado do Robson nem chega.

Aff! desisto!

Fui embora, mas antes passar na casa do cara, para ver porque ele não foi.

Estava passando perto de uma praça, já perto da casa dele, quando vi uns caras no gramado dela, jogando vôlei. Dei a volta, nem percebi que tinha entrado na contra mão de uma avenida. Entrei novamente na contramão, no sentido oposto. Estacionei a moto, e a bola caiu perto de mim, eu sa´i da moto, e joguei a bola para os caras, já identificados, ainda de capacete. Então o Robinho diz:

– Ô cara, valeu, não me reconhecendo, pois estava de capacete.

Eu então tiro o capacete e pergunto:

– Não era no Buracão?

HAUHAU…

– Opa, e ae cara, beleza?

– Você tirou carta de moto – me perguntou o Robinson.

– Comprei. Você acha que um cara que entra na contramão assim tirou carta? Só comprando mesmo!

Nos cumprimentamos, e fomos jogar vôlei. Estavamos eu, o Robson, o Robinho e o Mayco. O nome do último, como já havia dito, eu não lembrava. Na verdade nem sabia, mesmo conhecendo ele… Mas acho que eu sei disfarçar bem.

Fomos então jogar.

Caramba! A gente é ruim pra caramba. A bola ficava mai sno chão do que no alto!

Também, fazia quase dosi anos que eu não jogava, e alguns saques depois meus braços já estavam latejando de vermelhos…

O Robson fazia aula de vôlei, na época que a gente estava no Polo. Mesmo assim ele também estava muito ruim. HAUHA…

Não jogamos nem meia hora, pois cansamos muito rápido.. Eu não aguentava meu braço…

Então tá. Falow.

Fomos embora. Peguei meu capacete, que quase encostava na roda da bicicleta do Robinson, que havia passado em cima de uma merda de cachorro… Ahgh.. Ainda bem que tirei de perto antes que algo mais grave acontecesse!

Voltei para casa. Mas ainda tinha que ver a máquina de um outro cara, que não estava mais conectando na Internet.Já havia dado esse problema semana passada. Eu fui lá e arrumei certinho, pois o Windows teimava em “desinstalar” o driver do negócio. Mas dessa vez ele não deixou instalar o driver de novo. Aff… Windows é uma merda mesmo. E não funcionou não.

Tentei usar o restaurador do sistema, para uma data antes de para de funcionar. E quem disse que o negócio funcionou? Falei assim com ele: Olha, esse seu modem deve estar com problemas (um PC-Tel). Ele não vai funcionar de jeito nenhum. Faz assim: eu tenho um modem lá em casa (um intel, que funciona uma beleza. Do tempo que eu usava discada. Eu trago ele aqui, você testa ele, e se funcionar, a gente negocia.

E assim foi. Só acho que o modem não está mais aqui em casa. Vou ver se acho..

Hoje o lugar onde eu soltava pipa é um loteamento, ao lado da minha casa. Muitos postes, muitos fios. Não dá pra descer até o chão. Uma pena. Acabam tirando a diversão de muita gente.

E é isso. Esse foi meu enfadonho domingo. Mesmo assim foi bom.

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2 Comments

  1. jorge pereira
    Posted julho 26, 2009 at 16:13 | Permalink

    ridíículo!

  2. Posted julho 24, 2010 at 17:09 | Permalink

    dasdasdas

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