Manifesto Slackware – Pela Manutenção do Império!

PalpatineTenho observado, durante este meu período de Linuxer, que muitas distribuições deste sistema vêm nascendo e morrendo ao longo do tempo. Mas há aquelas que não morrem. Insistem em permanecer entre nós. São elas: Debian, Red Hat (Fedora) e o Slackware.

Não estou aqui para criticar nenhuma delas, pois todas elas são muito boas, senão não existiriam até hoje, mas duas destas distribuições têm evoluído de forma muito significativa, bem mais que a terceira. Já sabem do que estou falando né?

Muitas pessoas reclamam do Slackware, dizendo que ele é ruim por não ter um sistema de pacotes, e e o usuário é obrigado à compilar tudo na mão. E erram ao fazer tal afirmação. O Slack possui sim um sistema de pacotes, conhecido como pkgtool, que seria comparado ao dpkg do Debian, ou ao rpm do Red Hat.

Mas a afirmação destas pessoas parece estar chegando cada vez ao patamar de uma verdade, pois está diminuindo a quantidade de pacotes pré-compilados para o Slackware. Diminuindo mesmo. Drasticamente.

Eu, como bom slacker, gosto de pegar o código-fonte de um programa e compilá-lo. Me sinto bem fazendo isto (diversão de nerd). Mas isto não significa que eu deva ser obrigado à fazer isto sempre. Neste momento mesmo, acabei de dar o comando slapt-get –install vlc e instalado de forma automática o player VideoLAN. Mas eu poderia muito bem compilá-lo manualmente, sem problemas, como faço com o MPlayer e o Xine.

Uma das coisas que gosto no Slackware é o fato de você não precisar ficar preso à um sistema de checagem de dependências. Você está com o pacote? Beleza, é só instalar. Mas às vezes acontecem problemas… Você não consegue, de maneira alguma, instalar um programa à partir do código-fonte, pois o mesmo não está disponível na forma de binário. Recorrer à ferramentas como rpm2tgz, alien? Quem já usou sabe que estas ferramentas não funcionam tão bem quanto um binário nativo.

Então o que falta ao Slackware? Um sistema de pacotes “poderoso”? Não! Temos vários deles. Posso citar o slapt-get, swaret, slackpkg, SlackBuild, etc. Posso dizer, com toda (tá, 75% de) certeza, que o que faltam são: repositórios. Não falta gente querendo contribuir, mas espaço para compartilharmos pacotes que criamos. Eu mesmo, tenho aqui no meu computador uma pasta cheia de pacotes pré-compilados, todos formatados segundo às regras que definem bom pacote.

Você poderia citar sites como o LinuxPackages, mas a burocracia para enviar um pacote para lá é tão grande, que o número de pacotes disponíveis é muito baixo, se comparado à repositórios de outras distros. Tanto que a quantidade de pacotes para o atual Slackware (12) é muito baixa. Posso citar também repositórios muito bons, que têm me salvado, e possuem pacotes de ótima qualidade. Inclusive foi de um deles que eu instalei o vlc, instantes atrás.

http://www.slacky.eu/ Repositório italiano, com pacotes para o Slackware 11 e 12.

O que proponho neste meu prolixo e enfadonho texto é: reunir a comunidade Slackware do Brasil, para disponibilizarmos, de forma rápida e eficaz, pacotes pré-compilados, não só para usuários brasileiros, mas para toda a comunidade slack global.

É claro que estas coisas não são tão fáceis assim. Há muitas variáveis em jogo. Pois eu proponho algumas idéias para serem discutidas (embora algumas pareçam ordens, não são ;-):

– Qualidade dos pacotes: regra é clara: manter a qualidade dos pacotes oficiais, aqueles que vêm no CD. Como fazer isto? Da mesma forma que o Patrick faz com o slack-current. Todo pacote deve, antes de bem testado, permanecer no estado de teste. De certa forma parecido com os repositórios do Debian. Definir regras com relação, desde à descrição dos pacotes, até o método de empacotamento. Uma boa definição do que é um bom pacote pode ser encontrada no LinuxPackages: O pacote perfeito.

– Pacotes com o mínimo de patches e modificações. Eu já usei o Ubuntu por um tempo, e acredito que posso generalizar para o Debian. Uma coisa que eu notei, e que me irritava muito, é o fato de os programas instalados, à partir dos repositórios, terem muitas modificações e personalizações, que irritam o usuário, e deixam os programas muitas vezes instáveis. No slack não é assim. E é assim que devemos manter. Manter original. Simples.

– Isto é, de certa maneira, uma conseqüência da exposição anterior. Não deve-se quebrar um pacote em várias partes. Fragmentar é uma característica do Debian e derivados. Isto tem muitas vantagens, confesso, mas o método utilizado pelo Slackware tem muitas vantagens também. E se está bom como está, para quê mudar?

– Assim como acontece com repositórios como o slacky, já comentado acima, e o slackware-current.net, todas as dependências extras de um pacote devem estar disponíveis. Bem, isto é óbvio, mas não custa nada lembrar ;-)

Pois bem, isto não foi tudo. Somente um início. Não sei se já há alguma iniciativa à respeito deste tema, mas se alguém eu estou disposto à discutir sobre ele. Ah, e discutirmos a questão financeira, pois manter um servidor funcionando assim tem custos. Como não existe uma empresa ou uma “Fundação Slackware”, o custo deve ser dividido pela comunidade. Como fazer isto? Não tenho a mínima idéia. Por isso estou aqui pedindo a ajuda de vocês. Poderíamos até conversar com o pessoal do Slackware-Brasil, ou do Slack-Life, já que eles já mantém repositórios oficiais.

E então? O que me dizem?

PS: A imagem lá do topo, do Imperador Palpatine, não significa que “O Slackware é feio” ou “do mal”. Só coloquei para ilustrar o título. O Slackware é uma das mais tradicionais distribuições, e, em hipótese alguma, deve morrer. Não que corra este risco, mas confesso que já cheguei a abandoná-lo, por uns três meses, mas não resisti, e voltei.

Espero respostas.

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One Comment

  1. Lemuel
    Posted janeiro 29, 2008 at 23:37 | Permalink

    È isso ai amigo…

    Sinto falta de pacotes para o slack…

    para todos lados que eu ando é só .deb .rpm

    confesso que não tenho nenhuma idéia no momento, mas ajudo no que for possível…

    Parabéns pela iniciativa.

    Obigado

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