Windows Vista: Um exemplo de subutilização de um computador

Linuxer que é Linuxer tem que criticar os produtos da Microsoft. Isto é quase fato. Isso às vezes nos leva e julgarmos de forma parcial o que este empresa faz. Fato. Mas hoje eu estou aqui para uma coisa diferente. Não, na verdade é exatamente isto: Criticar o mais novo delírio da Microsoft: O Windows Vista.

A Microsoft é conhecida pelo seu produto mais famoso: o Windows. Trata-se do sistema operacional mais utilizado do mundo. Algumas versões dele são consideradas por muitos ruins (ex: Me) e outras como muito boas (ex: 98 e XP). Entre altos e baixos, seu sistema é sempre o mais utilizado.

Mas o que eu tenho percebido nos últimos anos é: como pode uma empresa, de respeito e imenso porte como a Microsoft, lançar no mercado algo tão ruim (não só na opinião deste que vos fala), como a linha Starter do Windows.

O Windows Starter Edition – ou SE – é uma versão do Windows direcionada à população pobre de países em desenvolvimento, que estão tendo o primeiro contado com um computador. Isso oficialmente, porque está impícito, nos atos da empresa, que se trata de uma tentativa de barrar o avanço do Linux e outros softwares livres concorrentes no meio doméstico. Tentativa falha.

E como se dá esta ação? Basicamente pegando a versão mais recente de seu produto, retirar o máximo de recursos, adicionar o máximo de limitações para a utilização do sistema por parte do usuário, ainda sim deixando o sistema com o excessivo consumo de memória, processamento, e falhas de segurança. Em alguns casos, estes útimos são incrivelmente aumentados.

Aqui, nota-se um ato falho nos atos da Microsoft: Manter, paralelamente à versão oficial do Windows, uma versão limitada, com o único objetivo de barrar o usuário, com a desculpa de que, sendo um produto mais barato, deve ter menos recursos. Sendo um software (ou um conjunto destes) o sistema operacional, trata-se de algo não mensurável. Não há aumento dos custos quando se produz mais unidades (cópias). E, se já há um recurso estável, consolidado, para que retirá-lo de uma versão mais enxuta, se não irá haver mais lucros com isso?

Você poderia usar o argumento de que, mesmo empresas que vivem do software livre, como a Mandriva, lançam versões diferentes do seu produto, com mais ou menos recursos. Se você utilizar este argumento, está na cara que nunca utilizou efetivamente nenhuma versão de qualquer sistema baseado em Linux. Como o (GNU/)Linux é um sistema totalmente modular, você pode, quando quiser, adicionar ou remover qualquer componente dele. Normalmente, nas distribuições Linux, os diferentes “níveis” dos produtos estão relacionados não com o que o sistema tem, mas quanto ao suporte disponível para aquela versão.

Mas o Windows é diferente. Ele não é modular. É “monobloco”, por assim dizer. Logo, manter diferentes versões dele acarretam em mais custos de desenvolvimento. E mais tempo. E mais possibilidades de falhas.

Mas por que eu estou reclamando tanto: Em primeiro lugar, por ser um defensor do Linux. Em segundo lugar, porque eu vi, pessoalmente, o quanto o Windows pode ser ruim.

Uma vizinha minha comprou um computador. Seu primeiro computador. Destes das Casas Bahia. E ele veio justamente com o Vista SE. É de se imaginar que o computador seja de baixa qualidade, e “fraquinho”. Isto porque, os computadores que usavam a versão anterior do Windows SE vinham inicialmente com 128MB de memória. Isto hoje é impraticável, principalmente com o Vista. A configuração do computador em questão é esta:

Configurações

Como se poder ver, trata-se de um Pentium 4 3.0 GHz, com um HD de 80GB, 512 de RAM, sendo 64 compartilhados com o vídeo (64+447=511 MB). E monitor LCD de 15′. Ao meu ver, é uma boa configuração, levando-se em conta o fato de eu estar escrevendo isto num Duron 1500 (1343MHz), com 512MB de RAM, GF4 com 64MB, HD de 80GB. Nota: O barramento da MB deste meu PC é 200MHz. E ele me acompanha já há quase três anos, quase sem modificações.

A impressão que eu tive ao usar o Windows SE naquele micro? Veja você mesmo:

Demora do Vista

Nota: Eu tirei esta screenshot logo após o boot completo do sistema, quando o marcador do uso da CPU saiu do 100%. Veja “Tempo de Atividade” quanto tempo demorou o boot completo: 00:03:52. Isto mesmo! Quase 4 min.! O boot do Windows normalmente é mais rápido que de uma distribuição Linux normal. Isto se dá pelo fato de o kernel e a interface gráfica do (GNU aff!/)Linux serem coisas distintas. Ou seja, carrega-se primeiro o kernel, e todos os serviços necessários, e, em seguida, a interface do usuário. Já no Windows acontece o contrário. Carrega-se o kernel, com a interface gráfica, dando a impressão de ser bem rápido (e realmente é), e em seguida, já com a interface, todos os serviços necessários. É por isso que é quase impossível abrir um menu logo quando o ponteiro do mouse aparece na tela. E a luzinha do HD fica acesa por um bom tempo.

E veja, na mesma screenshot, o uso de memória. 311MB. Iso é um insulto! Um sistema operacional ocupar quase que sozinho, tudo isto de memória? Dificilmente as distribuições Linux mais pesadas, com KDE ou GNOME ocupam mais que 120MB de memória logo após o boot. E nem estava rodando nenhum processo exótico, somente o básico depois do boot.

Agora, vamos às primeiras impressões que tive do sistema. Liga-se o computador. Uma tela preta, com uma tímida, mas bem desenhada barra de progresso na parte inferior da tela indica que o a inicialização está em andamento. Logo após, a tela fica toda preta, e vê-se, no centro da tela, aparecer uma animação do logo do Vista, que faz um efeito de cintilância, com um som que lembra este fenômeno. Também muito bem-acabado o efeito, mas não foi corretamente exibido, acho que por causa da placa de vídeo onboard. Após isto, vemos uma tela esverdeada, indicando que o sistema está carregando as configurações do usuário. Dois ícones na forma de bões indicam o layout do teclado. Muito bonito também. Logo em seguida vê-se a área de trabalho do Windows. À primeira vista (hauahau) parece a mesma interface do Windows XP com um tema diferente. Mas já clicando no menu iniciar percebe-se que ele está muito mudado. O acesso aos submenus se dá de forma confusa, além de lenta nesta máquina. A barra de rolagem se torna necessária para acessar itens básicos. E todo mundo sabe que a barra de rolagem é algo a ser evitado ao máximo. Menos a Microsoft.

De resto, é basicamente um XP mais bonitinho. Com a diferença de que a interface dos utilitários ficou mais parecida com uma página Web, com links em vez de botões. Acredito que isto tenha piorado a interação com o usuário, mas isto vai do gosto do freguês.

Uma coisa que notei nos novos produtos da Microsoft: Eliminou-se o conceito e barra de menus, ao estilo Arquivo >> Salvar, etc. Isto é visível no caso do Windows Explorer, o gerenciador de arquivos, e no Internet Explorer 7. Sem falar no Office 2007, que não veio na máquina que testei, mas que já vi em sites e revistas.

Por falar em IE7, vejamos que engraçado… Para abrir uma nova Guia (Aba) nele, tecle Ctrl+T, para aumentar a fonte, Ctrl++… Isto te lembra alguma coisa? hauahua Quem costuma usar os atalhos do Firefox sabe do que estou falando. Tá certo que não foi realmente o FF que inventou isso, mas ver a MS, que normalmente dita a moda, imitando os outros, é engraçado. Isso é.

Nova Guia

Outra coisa engraçada que notei é o sistema de atualização do Windows. Por padrão, ao contrário de sistemas como o apt-get, dos debians da vida (debian, ubuntu, etc), o usuário quase que não tem idéia do que o sistema está atualizando. Clique no botão de atualização e verifique o que está sendo instalado. “Pacote de segurança tal, tal, tal”. Só há as descrições (todas iguais e incompreensíveis), dos arquivos, basicamente porque eles não são programas, pacotes, pelo fato de, como eu disse, o Windows ser monobloco; mas “remendos” do sistema. Já num sistema modular como o Linux, você sabe exatamente o que está sendo instalado no sistema. “Esta é uma atualização do pacote nmap”, etc. Isto faz muita diferença.

Outra pérola que notei no WSE foi essa:

Reinicie!!

Isto mesmo! O sistema pediu para ser desligado, para que as atualizações precisassem ser aplicadas. Isto possivelmente acontece pelo fato de o kernel do Windows incorporar a maioria das coisas do sistema. No Linux não. Nele, dificilmente uma atualização ou instalação de um programa necessitará que o computador seja reiniciado. As únicas coisa que necessitam que você reinicie o computador é uma atualização de kernel. Aí não tem jeito mesmo. Isto é um diferencial em sistemas que precisem ficar ligados meses a fio. Mas não no caso de um sistema doméstico né? O sistema me deu 5 minutos para terminar o que estava fazendo. Isto é bom: ajuda você a ter prazos ;-)

Cheguei à conclusão de que, o que prende às pessoas ao Windows não é tanto o Sistema Operacional em si, mas os aplicativos que só rodam nele, como o AutoCAD, Corel Draw, PhotoShop, etc. Além dos jogos. Mas, neste último caso, não imagino como pode uma pessoa rodar algum jogo num sistema que consome tantos recursos.

Outra coisa engraçada é o novo sistema de (perturbação do usuário) segurança do sistema. Toda vez que você clicar em algum item do sistema, um executável qualquer, como o regedit, msconfig, ferramentas do sistema, executável desconhecido, etc., a tela fica escura, e abre-se uma janela que fica em primeiro plano, pedindo autorização para que ele seja executado! Eu achei isso tão engraçado… Isto é quase que uma imitação de um diálogo do KDE ou do GNOME, pedindo a senha do administrador para realizar alguma tarefa do sistema, Com uma diferença: No Windows ele não pede senha! Um programinha poderia muito bem emular um clique de mouse e apertar o botão OK! Mas a gente finge que acredita…

Agora vem uma pessoa e diz: “Mas você não pode usar o Starter Edition e generalizar para o Vista assim. Todo mundo sabe que o SE é ruim”. É. até a Microsoft sabe disto. Mas, se uma versão “enxuta” do Vista já consome tanto espaço em disco (gigas e gigas), tanta memória, e tanta CPU, mesmo não apresentando quase que nenhum recurso inovador para o usuário? Imagine só como é usar (as frescuras) os efeitos da interface Aero? Eu tento não imaginar, senão entro em parafuso. Até os efeitos do Compiz e do Beryl eu rodo aqui nesta minha máquina! (mas não uso freqüentemente, pois confesso que fica um pouco pesado). Uma empresa que comete uma cagada desta não merece a total confiança do usuário. Mas, se tratando de uma empresa que não é dominante do mercado, e está aí somente há alguns poucos anos, a gente dá um desconto, certo?

Fico por aqui.

E Microsoft, vê se acerta da próxima vez. Tava indo tão bem até o Windows XP…

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One Comment

  1. Bruce
    Posted junho 13, 2010 at 12:11 | Permalink

    o pior do windows vista starter e que so pode abrir 3 programas e 3 janelas de cada um dos 3 programas

One Trackback

  1. […] http://le(…)de-subutilizacao-de-um-computador/ […]

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