Esquerdista

Peço licença poética:

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Ni! ser gauche na vida.

Acho que o meu anjo é parente do anjo do Carlos (Drummond de Andrade).

Não, acho que não sou gauche. Sou do contra mesmo.

Por que? Não tenho a mínima idéia. Mas vou comentar aqui como é isso.

– Não gosto de futebol, num país onde este esporte ocupa o primeiro lugar no ranking de preocupações do brasileiro: “Quando? hoje tem jogo do Brasil?”. Não, não tenho nada contra o esporte, mas este hoje serve somente como instrumento de alienação da massa-povo. É o pão-e-circo do Brasil. “Viva!!!”. Então respondo: “Não, eu não assisto aos jogos da seleção”. Alguns riem, outros querem me esganar. Tá. confesso que também faço isso para ser chato mesmo. Esse papo de “alienação, massa-de-manobra, etc” é para quem não tem mais o que fazer. Mas uma coisa é certa: O futebol há muito não é mais algo saudável como era “antisgamente”. Jogadores que jogam no exterior vem uma vez a cada quatro anos “defender nosso país, nosso orgulho”. Sua única função é ganhar dinheiro. Mas o que há de mal nisso? Nenhum. “Mas o quê? Você não é patriota!”. Acho que não, patriotismo significar assistir aos jogos da seleção brasileira de football. “Gooooooooooooooll”. Pelo menos eu estou no Brasil.

Não. Não tenho nada contra o esporte. Em temps de Pan e Copa, prefiro muito mais assistir Rock Gol. Ver os artistas fazendo aquelas cagadas…

Obs: não sou ufanista, nem xenófobo, entendam isto.

Obs: Freud provavelmente diria que isto é um trauma causado pelo fato de eu ser péssimo no futebol, e pelo fato de sempre ter sido o último a ser escolhido – e sempre para o gol, terra dos perdedores. “Ser o último escolhido no futebol: Mais vinte anos de psicanálise”. rsrsr

– Não tenho orkut. Tá, isso é até normal, para pessoas normais. Mas eu curso Informática. Só tem Nerd, MiGuXXoS, Orkuteiro, emo e viciados em MSN neste curso. Huahua! Até nisso eu consigo ser chato! Não sei. Acho que não consegui me adaptar a nenhum destes grupos – o “gente normal” está fora de cogitação. Na verdade acho que tô bem perto dos MSNs e dos Nerds, mesmo não me caracterizando em nenhum destes grupos. E sim! Estou num árduo processo de transição do MSN para o Jabber! hauah

– Não tenho celular: “Tadinho do garoto: dá um celular para ele.” Hauahuh. Não, não é que não tenha dinheiro para tal. Procurei sempre me ver livre destes aparelhos barulhentos e chatos. Gosto da idéia de incomunicabilidade. Não gosto de estar em qualquer lugar e ouvir um som chato – eles vibram também!!! – me dizendo me dizendo que há uma pessoa querendo me encher o saco. “Burro! Desliga ele!”. Assim ele finalmente ganhará alguma função: peso de papel. Não, não sou tecnófobo (faço informática), apenas nasci virado para a lua rsrs. Pena que o mundo não é tão mágico assim. Temo o dia em que terei de tomar a mesma decisão que o Aurélio teve que tomar.

– Lá vem papo de Nerd: Uso Linux, enquanto que todo mundo usa Windows, iscrusive o próprio povo de Info. Como pode! Nerd que é nerd (se está num curso como este já tem a palavra nerd escrito na testa) não usa Windows! Windows é para a massa alienada (obs: alienar é uma das palavras mais faladas pelos ativistas políticos de final-de-semana, mesmo eu não sabendo o emprego correto deste verbo). Acontece que para a maioria dessa massa alienada não liga para quais sistemas operacionais usam em seus computadores. Algumas nem sabem o que é o sistema operacional. Mas, como computeiro que sou.. Alias, já perceberam como todo linuxer é metido à besta? Pergunte à ele: “Como faz pra copiar um arquivo de uma pasta à outra?”. Ele provavelmente irá responder: “Abra um terminal e digite: cp -R …”. Caramba! É só clicar com o botão direio no arquivo, clicar em copiar, navegar até a outra pasta (nerd que é nerd chama de diretório) e clicar em colar! Sim, confesso que a linha-de-comando é sempre muito útil, mas não precisa ser assim. Digo isso porque já faz um bom tempo que não uso o konqueror, e o programa que mais uso é o xterm.

– Nunca joguei Counter Strike. Acho que ninguém mais fala assim. Agora é CS. Tava no final da aula de algoritmos, e não lembro como, havia comentado que eu nunca havia jogado Counter Strike. “Caramba! Você é a primeira pessoa que eu conheço que nunca jogou CS!”. Porque isso é estranho? Será que eu sou o único que ainda joga Super Mario, Donkey Kong? Alguém aí lembra da época do Super NES (ou mesmo do nintendinho, 8 bits)? Até bem pouco tempo atrás eu tinha um, mas agora só jogo no PC, via emulador. Não que o Linux não tenha jogos legais, mas não sou muito esses jogos extremamente realistas. Acho que penso assim por só enxergar em dois sentidos… hauha. Sou da época do “Pula!…Abaixa!… Pega o casco e joga no bichinho!… Pega a flautinha para ir para o oitavo mundo!”. Hoje não há mais fases, mundos. Tentam imitar a realidade, mas a realidade é, algumas vezes, tão chata… E é aí que inventaram os games! Esses dias fui na casa de um colega meu, e ele me mostrou o jogo Star Wars, para PS2. Nossa, o jogo parece um filme, mas com um só botão você consegue fazer todos os movimentos do jogo! Há muitas animações (movimentos complexos pré-definidos). Perde-se a jogabilidade de antigamente! Cadê as seqüencias para dar fatality no Mortal Kombat 2? Ah, falando em jogos para o Linux, há bons jogos sim, e vários títulos famosos. Quake, America’s Army, além dos famosos joguinhos estúpidos (que eu adoro), como frozen-bubble, xmoto, blobby, pouetChess , além de jogos mais elaborados, como o Cube , World of PadMan, etc. Acho que até o CS tem para Linux. Além do mais, os joguinhos de cartas do Linux (os do GNOME e KDE, principalmente) são muito superiores aos do Windows. Existe até Second Life para Linux! Bem, não o Brasil, que é mantido pela IG(norante), mas o cliente ainda sim anda é bom. Se bem que o SL é algo um tanto quanto chato. Só entrei uma vez, já há alguns meses, e não entrei mais. Aí esses dias tentei denovo, mas o cliente que estava usando (no Linux) já não era compatível. Baixar outro pra quê? Mas como eu sei que tem gente que gosta…

– Tenho pavor dessas músicas que fazem hoje. Funk, Axé, Forró (Apo)Calypso, pagode, Rock, Hip Hop, Hip Rock, Hip Pop, que não dizem nada com nada, Funk, odeio funk. É claro que há exceções. Não que eu goste dessas exceções. Mas o forró tradicional, o Rock alternatvo mesmo (não essas bandas que aparecem hoje e somem amanhâ), Rap tipo Racionais, Gabriel o Pensador, coisas com conteúdo são aceitáveis. Funk e Axé não! São sempre ruins. Esses dias eu ouvi um ruído (alguns chamam de música), que dizia coisas como “Vem fazer boquete! vem fazer boquete!”, e repetia isso centenas de vezes. Caramba! Não que ache a sexualidade das pessoas deva ser reprimida, mas será que eu sou um louco ao achar que quem ouve isso tem (no mínimo) merda na cabeça?

Ao mesmo tempo parece que fiquei preso na música dos anos 80 e 90, mesmo não tendo vivido neste período (nasci em 1987). Ouço muito pouco da “música atual”. Muito Legião Urbana, Nirvana, Cássia Eller, Cazuza, Radiohead. Músicas que se salvam hoje em dia: Los Hermanos, Nando Reis, Gabriel o Pensador, Foo Fighters, U2, ColdPlay,Strokes, Dado Villa-Lobos, Paralamas, Engenheiros…

– “É tão estranho. Os bons morrem jovens. (…) E lembro de você e de tanta gente que se foi cedo demais…” — Legião Urbana

– “Meus heróis morreram de overdose. Meus inimigos estão no poder…” — Cazuza

Tá, sei que a maioria das pessoas também odeiam essas músicas, e nem por isso são “do contra”. Mas não custa nada reforçar sua opinião ;-)

– Já falei do meu amor pela segunda coisa que o brasileiro mais pensa? Política? Não. Carnaval! Não entendo como desperdiçar quatro preciosos dias do ano com algo tão imbecil. Nada contra as mulatas (nada contra elas, muito pelo contrário ;-) ), mas não há nada de útil no carnaval. Música péssima. Música? O batuque é sempre o mesmo há 100 anos, as letras estão cada vez piores; Interrompem a programação da TV – que já não é lá essas coisas -, para ficarem o dia inteiro mostrando carros alegóricos que pegam fogo, atropelam nego (nego é modo de falar, digo, pessoa), ou mostram a Dercy Gonçalves desfilando pelada… E ainda é feriado!

– Sou um ateu num país predominantemente católico, que ainda não soube diferenciar o Estado da religião, dado o número de feriados religiosos que temos. Um país onde em alguns lugares você só tem duas opções de vida: ou vira traficante ou prostituta, ou vira crente. Um país onde pelo menos metade dos canais abertos de TV são canais religiosos, cada um mostrando a verdadeira palavra de deus, mesmo com “palavras” totalmente diferentes entre eles.

Lógico que não são somente esses fatores que fazem com que eu seja assim, mas com o tempo eu vou explicando como funciona isso.

É claro que ser do contra não é só maravilha (se é que você viu alguma vantagem em alguma coisa que eu disse). Há alguns fatos que tornam a vida do esquerdista meio complicada:

– Sua vida, suas idéias se baseiam no que os outros pensam. É necessário sempre saber o que o outro faz, para fazer o contrário. E isso dá trabalho. Fico imaginando o dia em que todo mundo estiver usando Linux, ou ouvindo Legião e Radiohead (sem bem que Legião é a banda alternativa menos alternativa que existe, porque todo mundo já cantou ao menos um “Pais e Filhos”). Terei que achar algum outro sistema operacional alternativo e alguma outra música para ouvir. Será que me dou bem como metaleiro?

– A condição anterior implica na possibilidade de você ser uma pessoa sem ideais, ou ter estes muito frágeis. Pois, como suas idéias se baseiam no que os outros pensam, quando o outro muda de opinião, você muda também. E quando os outros passam a pensar como você, você está pensando como eles.

– Outro problema é você achar que está fazendo diferente dos outros, mas acabar fazendo o que todo mundo faz, que é exatamente isto. Você se torna um clichê.

Do ContraGosto deste poema do Carlos Drummound de Andrade (Poema de Sete Faces). Acho que porque uma vez caiu uma questão numa prova de literatura do colégio, e no ENEM também. E eu errei ambas as questões…. Aprendi errando… Mesmo assim vejo um pouco dele em mim. “Mundo mundo, vasto mundo. Se eu me chamasse Raimundo não seria rima, seria esquisito ;-)”.

Me lembro de uma tirinha do Maurício de Souza, do personagem Do Contra (quem mais poderia ser?). Foi uma das coisas mais criativas que já vi. Num quadro, o personagem sobe um escorregador pela parte lisa, e no outro desce “escorregando” pela parte da escada. Pronto. Isso resume tudo. Pena não ter achado para mostrar para vocês.

Crianças: não tentem fazer isto em casa. Até a próxima.

 

 

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One Comment

  1. Posted fevereiro 26, 2008 at 15:06 | Permalink

    blé. Me encaixei em quase tudo:

    – Era o último a ser escolhido, depois de três par-ou-ímpar, duas neguinhas e muito choro. Era mandado pro gol e corria quando a bola chegava perto, hehe.

    – ODEIO carnaval.

    – Louco por Legião Urbana, Cássia Éller, U2 e etc.

    – Não tenho Orkut, e odeio. Já tive, mas isso não me pertence mais, meu intelecto agradeceu. :-)

    – Entretanto, não sou ateu.

One Trackback

  1. By Com que hospedagem eu vou? « Leandro Santiago on setembro 3, 2009 at 13:49

    […] Drummond de Andrade não se levante do túmulo para me processar, em utilizar parte do título de um poema que gosto muito, O ‘poema de sete faces’, mesmo não sendo lá muito fã de […]

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