Às cadeiras, ao status, à saudade

É estranho…
Quando era mais novo, ainda quando estudava no antigo Parque Avenida – hoje Miltom Santos, me lembro de um fato que, agora que me lembrei (Duh!), achei um tanto quanto engraçado.
Nós, alunos da terceira, quarta série do ensino fundamental, quando chegavamos na sala, já íamos mudando as cadeiras de lugar. Mas o que tem de estranho nisso? É que, havia as carteiras normais, baixas e… normais; e algumas cadeiras mais altas, que tinham uma barra que servia com apoio para os pés, e mais raras.
Havia vezes em que a gente chegava antes do horário só pra colocar as cadeiras altas nos lugares em que sentávamos, ou, no final da aula, fazíamos isso para o dia seguinte.

Mas o que essas cadeiras tinham de especial? Bem, eram mais altas que as outras; eram mais raras que as outras; eram bem parecidas com a cadeira da professora (havia dias que a prof sentava numa cadeira normal, pois alguém já havia pegado a dela). Mas o principal: traziam um certo status àqueles que repousavam seus pequenos (ou não) traseiros nelas. Havia até brigas por cadeiras!

Quando havia excursões (ou qualquer saída de ônibus) era pior ainda: a concorrência era pelos bancos que ficam em cima das rodas. Nossa!, quem sentava nestes bancos era um quase deus.
E mais ainda por esses bancos serem ainda mais concorridos, pois havia somente dois deles.

Passei esses dias em frente ao PA, e pensei como pode, eu ter passado seis anos da minha vida lá, brincando na hora do recreio, com meus amigos, indo mais de uma vez na fila pro lanche, e não ligar a mínima pra isso, sair mais cedo da aula quando davam danoninho de lanche, ou aquelas bolachas de mel recheadas com chocolate, ou o tutu de feijão da tia…. A vida era boa: não havia tantas responsabilidades, só interessava brincar; não era necessário se preocupar com problemas, frustrações…

Às vezes passo na frente do colégio, e me bate uma certa saudade. É claro que hoje está bem diferente, pois está maior, com a construção de novos blocos e a cobertura da quadra, além das grades e telas por todos cantos. Mas eu ainda me lembro dele como a Escola Minicipal Parque Avenida, pequena, onde todos conheciam todos, sem grades, livre. A quadra descoberta, com as traves às vezes quebradas, eu sendo sempre o último a ser chamado quando tinha partidas de futebol (e é claro que me jogavam no gol), a gente louco esperando o ônibus chegar, pra gente ir passear, e disputar o banco mais alto, trocar as cadeiras de lugar…

Hoje não tenho mais contato com o pessoal do PA. Não sei se aqueles que sempre pegavam as melhores cadeiras estão bem, se as cadeiras os fizeram melhores, se se casaram – calmae! não faz tanto tempo assim!; não faz nem oito, nove anos!. Mesmo assim fiquei sabendo de muitos que se casaram. Mas quem sou eu para julgar a vida e as atitude e opiniões dos outros? Já descuidei demais da minha…

De vez em quando encontro um por aí. Só um oi e nada mais. Não entendo com a gente ainda lembra das pessoas depois de um tempo. Tenho medo de não ser mais quem fui um dia, mas ao mesmo tempo tenho medo de ser, e não ter tido coragem de mudar. Talvez. Sei lá. Acho que nem o tempo irá dizer. O tempo não diz nada. Ele não espera. Não te olha nos olhos. Não liga para o que você pensa ou sente. Ele só corre. Minhas atitudes é que irão dizer. E espero que não estejam tão mudas como eu.

Não sei. Às vezes a gente sente vontade de fazer essas coisas idiotas, mas só idiotas hoje, porque quando somos crianças ninguém liga. Talvez todo adulto devesse ser criança às vezes (não, não estou falando de “atitudes infantis”), não se preocupando tanto com o que os outros pensam. Mas não essas crianças de hoje. Às vezes perco esperança no futuro. É que já ouvi alguém falando que eu seria o futuro do mundo. Mas mentiram. Procuro então não repetir estas palavras. Aí está parte da minha falta de esperança. Uma pena.

É, bons tempos. Nostalgia não faz mal à ninguém de vez em quando. Mas bate uma certa tristeza. Sei lá, talvez eu deva admitir de uma vez por todas minha humanidade. Talvez…

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